12.1.17

A Homenagem

Sou dos muitos daqueles que consideram que as homenagens prestadas a Mário Soares por ocasião da sua partida para a última viagem foram justas, merecidas e adequadas.

Voltámos à rotina do dia a dia para ouvir mais uma vez o que já ouvimos centenas de vezes, para que a realidade do estado presente não se confunda com a memória da grandeza dos "nossos egrégios avós".
Foi uma homenagem onde não faltaram os lugares comuns proferidos a torto e a direito por aqueles que, de microfone na mão e sem teleponto, acompanharam minuto a minuto e em todos os canais de televisão as cerimónias fúnebres, parecendo, nalguns momentos, que se tratava de uma festa.
Ficaram de barriga cheia todos aqueles que têm poucas oportunidades no dia a dia de demonstrarem que sabem utilizar as pomposas e tónicas palavras de "também" e "então", mesmo que não venham a propósito.
Mas nunca tinha ouvido um tal repórter de microfone na mão e sem teleponto utilizar os tais advérbios devidamente unidos como se se tratasse de uma única palavra: "também então".
Deu-me vontade rir, mas somente expressei um "hoh..." de admiração porque fora a primeira vez a ouvir tal coisa.
Ainda mais empolgante que a utilização destes advérbios na rotina de jornalistas de microfone na mão sem teleponto foram as grandes e formidáveis e espectaculares entrevistas ao povo anónimo que nos foram brindadas durante quase três dias.
"O que é que sente..."; "donde veio..."; "que lhe parece..."; " o que está aqui a fazer..." "sabes quem é...", etc e tal.
Mimos, mimos e mimos, oferecidos gratuitamente...
Estejamos agradecidos pela qualidade, seja lá o que isto for...

11.1.17

O espírito

Quando disse ao meu neto de sete anos que ia aos Jerónimos despedir-me de um amigo, que tinha morrido, disse-me para dar um beijinho ao espírito dele, porque os espíritos não morrem.

Aqui vai o tal beijinho, do fundo do coração, camarada e amigo...

Vemo-nos por aí, um dia qualquer.

3.1.17

Mais desejos

Como se está numa maré de desejos e de votos, parece-me oportuno esperar que o ano de dois mil e dezassete me dê a oportunidade de ver e ouvir alguns programas de comentário político.
Não é que me encontre privado de ver e ouvir alguns dos especialistas, comentadores e politólogos a pronunciarem-se sobre o que se vai passando por aí.
Mas como ouvir opiniões diferentes ou semelhantes sobre os assuntos, temas e factos relevantes não faz mal a ninguém, não se pode condenar os programas de comentário político e desportivo que abundam nos nossos canais de televisão, pelo que entendo ser sempre bom ouvir aqueles que têm a oportunidade de se fazerem ouvir e  com isso, poder influenciar a opinião dos menos atentos e menos informados.
Estes são os meus desejos, quase sempre contrariados pelos comportamentos insólitos por parte daqueles que teriam a obrigação de tornar possível a audição das suas doutas palavras.
Poderiam fazer algum esforço para evitar as berrarias, as gritarias, as interrupções malcriadas dos seus parceiros, contribuindo para um relacionamento normal que deveria existir entre as pessoas, apesar das opiniões divergentes ou contrárias às suas.
Por vezes, torna-se quase impossível ouvir ou entender o que se diz dado o ruído produzido pela insubordinação dos ilustres comentadores.
Para além do mais, podemos pensar que se trata de rivalidades sérias e que estão mesmo zangados uns com os outros, mas se tivermos presente que são "trabalhadores" do mesmo ofício, facilmente chegamos à conclusão que se trata de um circo cheio de malabaristas, que, no fim do trabalho efectuado, vão jantar calmamente ao mesmo restaurante, todos juntos na mesma mesa.
Isto é bonito de se ver, porque ouvir e entender é difícil, principalmente nos programas de comentário futebolístico, onde os comportamentos de má educação são apanágio de uma boa quantidade de especialistas.
Como se trata de uma actividade onde os entendidos são aos milhões não vem grande mal ao mundo se ficarmos privados de ouvir e entender as opiniões de uns quantos, apesar de serem os melhores.
Há sempre uma possibilidade: tentar ouvir ou entender durante trinta segundos ou, no máximo, sessenta segundos e depois ir lá mais para a frente à procura de coisa menos ofensiva da boa educação.
Como não se trata de ética e de cultura, mas se trata de política e de futebol...
 

2.1.17

Os desejos

Aproveitando a época festiva de início de um novo ano, adequada à formulação de desejos, aqui vão alguns dos meus.
Vou, desde já, desejar que me saia o euromilhões. Contudo e apesar de ter de pagar uma fortuna milionária ao estado por dupla tributação, comprometo-me aqui e agora a não fazer qualquer plástica para parecer mais velho e, o que é mais importante, afirmo solenemente que vou instituir um prémio de montante a determinar  oportunamente mas nunca inferior ao maior prémio mensal dado pelos canais através daquele tal número mágico, suporte e bandeira dos programas da manhã e da tarde, programas que se destinam essencialmente a entreter o pessoal, contribuir para elevar o seu nível cultural e assegurar a paz social, de que tanto necessitamos.
Este prémio mensal destina-se a galardoar o jornalista, o comentador, o reporteiro, o politólogo, o transmissor de notícias não escritas e todos os que falam sem teleponto nas rádios e nas televisões que sejam capazes de passar uma semana inteira sem pronunciar as palavras "também" e "então".
Se tal acontecer, o ganhador ou os ganhadores deverão apresentar prova dos factos e reivindicar o tal prémio que será pago na hora sem dupla tributação.
Comprometo-me ainda a contratar com uma livraria ou editora a aquisição de tantas quantas as gramáticas portuguesas requisitadas por qualquer pessoa ligada de qualquer maneira à imprensa audiovisual para que a língua portuguesa seja tratada com alguma dignidade.
Estaria ainda disponível para financiar um " cursillo" de formação profissional a todos os que tentam ganhar a vida de microfone na mão.

No fim de contas, bem me podem chamar "amigo" por não incluir o " de que" e "amigo egoísta" por saber que o prémio não vai ser atribuído, pelo que estes meus desejos não passam de "boas intenções", das quais...

1.1.17

Ano Novo

Os canais portugueses de televisão deram o melhor de si e dos seus para entreterem o pessoal durante as últimas horas de dois mil e dezasseis e as primeiras de dois mil e dezassete.
Nunca me tinha apercebido do esmero, do esforço e do interesse que merecíamos por parte daquela gente que se dedica a tornar a nossa vida menos infeliz e mais interessante.
A minha alma esteve parva durante as horas que dediquei com unhas e dentes a deambular pelos canais televisivos na esperança de nada perder de tudo o que me punham à disposição para celebrar condignamente os últimos momentos do ano da graça de dois mil e dezasseis e os primeiros de dois mil e dezassete.
Andei totalmente entusiasmado a apreciar a altíssima qualidade dos programas de entretenimento dos diversos canais de televisão, merecendo a minha especial atenção as reportagens provenientes de diversos locais e que "reporteiros" de qualidade inquestionável faziam para merecer a nossa atenção.
Pouco me interessava saber de que locais eram enviadas as imagens do deslumbrante fogo de artifício, pois estava centrado na imensa qualidade dos comentários dos tais "reporteiros".
Foi uma noite deslumbrante e não me arrependo do tempo que lhe dediquei, uma vez que  me esforço por reconhecer o mérito e a dedicação de todos os que prestam um serviço público ao serviço dos cidadãos.
E por isso mesmo devo aqui realçar aquela do canal público, quando interrompe um qualquer fogo de artifício para nos oferecer o primeiro anúncio publicitário do ano entrado de 2017.
Não vi tal anúncio porque entretanto fui invadido por uma onda de revolta por deixar de ouvir os comentários dos extraordinários apresentadores do programa, mas devo reconhecer que os milhões de portugueses que adoram e admiram aqueles que trabalham quando eles se divertem, ficaram altamente agradecidos por verem e ouvirem o primeiro anúncio publicitário.
Contudo, fiquei simplesmente surpreendido por durante estas horas de diversão e de divertimento genuíno oferecidas pelos canais de televisão não me terem dedicado uns momentos a solicitarem-me um telefonema para o tal setecentos e sessenta e não sei quantos.
Não posso perdoar tal ocorrência pois tinha intenção de, pela primeira vez, pegar no telefone e desejar ao

MUNDO e ao UNIVERSO um ano de 2017 a abarrotar de coisas boas.

11.7.16

O Explendor de Portugal



"...

Cessem do sábio grego e do troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
Aa fama das vitórias que tiveram,
Que eu canto o peito ilustre lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

...

Vereis amor da Pátria, não movido
De prémio vil, mas alto e quase eterno,
Que não é prémio vil ser conhecido
Por um pregão do ninho meu paterno.
Ouvi: vereis o nome engrandecido
Daqueles de quem sois senhor superno,
E julgareis qual é mais excelente,
Se ser do mundo rei, se de tal gente.

..."

4.6.16

Outras vistas

Aproveitando uma ida a Viana do Castelo para partilhar lembranças de outros tempos, planeei um passeio pelo norte galego e asturiano.
Dei uma vista de olhos a Santiago de Compostela onde revi a Praça do Obradoiro com milhares de "peregrinos"; debandei La Corunha; fiz um desvio ao Ferrol do ditador; cheguei a Gijón; parei em Oviedo; deliciei-me com León;; lembrei-me do Afonso Henriques quando descansei em Zamora; revisitei a Praça Mayor de Salamanca; olhei para Ciudad Rodrigo e entrei no paraíso a beira-mar plantado.
Durante cinco dias os meus ouvidos não foram bombardeados com as  expressões bem portuguesas preferidas pelos jornalistas, repórteres e comentadores da especialidade áudio como são o "então", o "tamém", o "e também", o "digamos" e ainda o "ele que..."... ditas a propósito umas vezes e a despropósito quase sempre...
Percorri cerca de mil e duzentos quilómetros de autoestrdas espanholas, pagando menos do que me processaram os pórticos dos cerca de cento e cinquenta quilómetros de Vilar Formoso até à saída para a Barragem do Fratel.
Só quando passei a linha imaginária da fronteira é que me apercebi do diferencial dos preços dos combustíveis lá e cá, como se estivéssemos entrado num país de multimilionários indiferentes ao valor das coisas.
Cheguei a Lisboa e logo tive a sensação que era um mundo do outro mundo, habitado por selvagens que não sabiam nem queriam saber o que é ter uma rua limpa, asseada, sem merda, sem lixo e tudo o mais que os humanos atiram para fora de si mesmos.
Tinha passado por umas quantas cidades onde não se via uma lata, um papel, um saco de plástico, cagadas de cão, cheiro nauseabundo a mijo e logo que saio da viatura deparo com a porcaria por todo o lado como se tivesse chegado a aterro sanitário...
Querem saber o que uma cidade limpa?
Visitem as espanholas...
 

10.5.16

Um mimo

Já que estou numa maré de língua portuguesa vêm-me à memória algumas expressões características ditas, usadas e abusadas por parte de determinado pessoal, quando se ouvem relatos e comentários de qualquer natureza.
Alguns terão presente aquela do "arremesso manual" que nos brindava um certo relator de jogos de futebol. Delirava com tal expressão, pois sempre me questionava como seria um arremesso da bola com o pé ou com a cabeça ou com o tronco, que não fosse um arremesso com as mãos. Não tinha graça nem ciência nem se tratava de uma figura de estilo, mas eu achava piada sempre que chegava aos meus ouvidas  a tal do "arremesso manual".
Bem mais moderna, mas não menos interessante, está aquela que se ouve a um determinado jornalista de comentários desportivos que reza como soa "dá-me a ideia". Trata-se de uma profundidade profunda que me causa calafrios ao pensar que eu posso dar-me um ideia e ter uma ideia ou produzir uma ideia, mas sim a ideia dar-me alguma coisa a propósito de qualquer coisa. Dá-me  ideia que isto está confuso, mas nunca pensei que uma ideia minha me pudesse dar alguma coisa que fosse de terceiros.
De outra natureza gramatical, mas mesmo assim coisa interessante, são as utilizações de significado profundo que muitos faladores da rádio e da televisão fazem dos adjetivos, dos pronomes  e de outras formas gramaticais que abundam na nossa língua portuguesa.
Posso não ter qualquer fundamento, mas não deixo de me interrogar sobre o que vai na cabeça de qualquer falador quando refere que "... estamos no minuto quinze desta primeira parte...", sendo certo que todos sabemos que não há outra primeira parte, mas sim a segunda e até mais partes, mas primeira só há uma e é esta e mais nenhuma.
Há poucos minutos  ouvi ou li "... instituições de educação privada...", ficando curioso sobre o significado da expressão, questionando-me sobre se se tratava de "instituições privadas" de educação ou se se tratava mesmo de "educação privada" em contraponto talvez com "educação pública"...
Uma outra frequente nas bocas de muita gente é aquela coisa do "melhor classificado" ou do "mais bem classificado", como se estivesse tudo certo do ponto de vista gramatical, como "esta ali" e "aquela aqui"...
Como não conheço qualquer novo projeto para uma nova gramática portuguesa, basta-me a consulta de uma das existentes para tomar conhecimento de muitas regras usadas na escrita e na fala da nossa língua, que merece algum respeito, apesar do novo acordo ortográfico...
Um mimo de linguagem.

9.5.16

O acordo do sul

Como nos últimos dias se falou do tal acordo ortográfico a propósito das declarações do pr lá para os lados do sul, com manifestações prós e contras, a matéria não me passou ao lado. Ouvi algumas tomadas de posição sobre o assunto, mas gostei muito de umas proferidas num programa televisivo de comentário político a tudo e a mais alguma coisa.
Um comentador desconhecia que nalguns países o tal acordo já estava em vigor manifestando a devida surpresa, muito provavelmente, pela sua ignorância sobre a matéria que estava a comentar.
Um outro afirmava que a coisa pouco lhe interessava uma vez que o seu corretor ortográfico tratava do assunto aplicando automaticamente o tal dito novo, o que deve ser uma aldrabice, porque se pode optar pelo velho ou pelo novo, a não ser que o corretor não seja o corretor ortográfico de português português...
Outros ainda declararam  que utilizavam o dito novo porque os jornais para os quais escrevem assim os obrigavam, dando a entender que para eles "tanto se me dá como se me dão...", desde que me paguem.
Honra seja feita a quem afirma peremptoriamente que está contra o acordo, mas também a quem se declara incondicional adepto do dito novo e ainda honra seja feita àqueles que se estão nas tintas para os acordos ortográficos, porque nunca escreveram, não escrevem e não
pensam em escrever ou que o importante é a língua e as suas circunstâncias...
Já agora, alguém que me diga qual o acordo ortográfico aplicado nos últimos livros do prémio nobel português para eu saber se a aplicação de qualquer acordo é um direito ou uma obrigação de quem escreve ou se também é um direito ou uma obrigação de quem lê...
Aqueles muitos leitores dos livros do autor do "cus de judas" devem saber perfeitamente que se pode ser um autor altamente reputado e considerado e lido e consumido sem aplicar qualquer acordo ortográfico e, parecendo-me, estar-se nas tintas para os acordos ortográficos e para todos os que discutem, muitas vezes sem conhecimento, estas questões linguísticas que condicionam o desenvolvimento da língua portuguesa, colocando milhões de faladores do português na dúvida sobre o que fazem para se entenderem por esse mundo fora.
Cá por mim, é como calhar e não sei qual o corretor ortográfico que utilizo neste texto, mas quando sei qual é, utilizo o velho ou novo de minha livre vontade e não porque o jornal me obriga a utilizar o novo ou porque não gosto deste e adoro aquele.
Graças aos deuses que os jornalistas faladores e comentadores de microfone e utilizadores do teleponto não têm que se preocupar com estas coisas do acordo...
 

7.5.16

O "então" e o "também"

Os tiques e as expressões linguísticas têm o seu tempo, sucedendo-se umas às outras como se a linguagem fosse sendo  construída num "co ntinuum", sem qualquer razão aparente.
Todos se lembram daquela que correu mundo e seus arredores com origem no porto, atribuída ao pintinho que a imortalizou "penso eu de que...", chegando ainda aos nossos dias com algumas variantes como "tenho a informar de que...", "esclareço de que...", " estou convencido de que...".
Nos primeiros tempos da crise, que ainda continua, viemos a ter conhecimento que o dicionário português contemplava a expressão "resiliência", totalmente desconhecida para mim, sendo que a ignorância era minha, que não podia der atribuída a uma falha do dicionário. Ela estava lá, e lá continua, para que os tecnocratas europeus nos ensinem alguma coisa e justifiquem a sua existência.
Vinda de paris, via sócrates, passámos a usar a expressão "narrativa" para catalogar qualquer coisa que não se sabia bem o que era, pelo que passou a ser "narrativa", principalmente no meio dos comentadores, que gostam muito de narrar as nossas narrativas.
Muito utilizada pelos comentadores e relatores desportivos vamos encontrar uma outra, que é um primado de beleza gramatical, quando pretendem introduzir na frase uma determinada informação ou observação e dizem "...ele que...".
Eu gosto muito desta porque tem a ver com um elevado conhecimento da gramática da língua portuguesa, que pode parecer do desconhecimento da maioria do pessoal que fala português por esse mundo fora e nada melhor que o futebol para chegar a toda a gente que se quer aculturar...
Mas a delícia de todas elas e que está no topo da criatividade e da inovação e da actualidade é o "então" e, em menor escala, o "também".
O  "então" e o "também", usados a torto e a direito, com sentido e sem sentido, a propósito e a despropósito, em qualquer lugar e em qualquer tempo, com significado e sem significado, fazem parte do mundo dos jornalistas de microfone, como se estes fossem pagos pelo número de vezes que nos atiram com tais palavras no tempo de uma reportagem, que muito poucas vezes dura mais que um minuto.
O mais curioso é que lá encontramos uma meia dúzia de vezes estas palavras bem e a propósito utilizadas numa leitura de duzentas ou trezentas páginas de um qualquer livro ou até nos textos lidos por apresentadores de telejornais.
Tudo me leva a crer que que o mundo da fala permite todos os dislates possíveis e imaginários, mas o mundo da escrita é bem mais exigente.
Talvez seja por isto que temos jornalistas de microfone e jornalistas de esferográfica...
Vá se lá entender o significado e a razão destas coisas...
E então?
Às vezes vale a pena mudar de canal... 

15.3.16

A sustentabilidade

A "sustentabilidade" entrou há bem poucos anos no vocabulário nacional, ocupando páginas de jornais, minutos e minutos de televisão, discussões inacabadas na assembleia da república e quase todo o gato pingado manda umas bocas a propósito da sustentabilidade.
Nunca me tinha preocupado com a matéria a  ponto de ficar deveras preocupado com esta coisa da sustentabilidade.
Era a sustentabilidade do serviço nacional de saúde; era a sustentabilidade do sistema de pensões da segurança social; era a sustentabilidade da própria segurança social; era a sustentabilidade da sustentabilidade; era a sustentabilidade de tudo e de mais alguma coisa.
Mas nunca tinha ouvido que o subsistema de saúde da adse, isto é, o subsistema de saúde de alguns funcionários públicos podia estar com problemas de sustentabilidade daqui a uns quantos anos.
E vai daí, aparecem umas quantas vozes a discursar o mesmo discurso que sempre foi discursado quando interessava cascar e malhar nos funcionários públicos: o estado paga a saúde dos funcionários públicos quando o dinheiro pago pelos próprios não dá para a coisa, o quer dizer que a guita sai dos nossos impostos, como se os tais funcionários públicos não os pagassem também.
Raramente ouvi dizer, e quando o disseram, disseram-no com medo e com receio, que nada mais se devia e se esperava que o estado pagasse para as pensões e para o subsistema em vigor o que pagavam todos as entidades patronais para as reformas, pensões e saúde dos seus trabalhadores.
Quantos anos andou o estado sem pagar o que deveria pagar?
Quantos milhões não seriam devidos a um suposto "fundo de pensões" se à participação dos funcionários blicos se juntasse a participação do seu patrão?
Neste momento, quando a coisa está de saúde, alguém se vem lembrar que depois da saúde pode vir a doença e antes que se morra, seria bom que houvesse igualdade na morte, porque na vida nós já sabemos que não há.
Quem agora fala, fala do alto da sua sabedoria e da sua tranquilidade e olha para o rebanho como se fora o seu pastor...
Invejosos, pois não podem ver um pobre com uma camisa lavada...
Já agora: façam lá uma discussãozinha sobre a sustentabilidade da televisão pública sem os nossos impostos e sem as taxas pagas com a factura da electricidade...

11.3.16

O apelo

Gostei e adorei.
Gostei e adorei, não porque tivesse achado graça à coisa, mas porque provinha da boca de um ministro e até por se tratar do ministro da economia.
Não querem lá ver que o homem se lembrou de apelar aos portugueses, principalmente aos portugueses que residem ou trabalhem perto da fronteira com a espanha, para se absterem de encher os depósitos das suas viaturas nas bombas espanholas, pois deste modo estão a pagar impostos em espanha e, por consequência não os pagam em portugal.
Faltou dizer que é mau português todo aquele português que vai a espanha encher o depósito da sua viatura, devendo fazê-lo em  portugual, pois só assim é digno de ser considerado filho desta grande nação.
Diga-se em abono da verdade que se trata de uma verdade verdadeira quando o homem afirma que quando um português vai a espanha encher o depósito da sua viatura com combustível fornecido por uma bomba espanhola paga ali os impostos devidos e não os paga em portugal.
Não temos qualquer dificuldade em concordar com o ministro mas a questão não é essa: faria sentido perguntar ao ministro se ele ou alguém por ele fez as contas considerando os ganhos e as perdas por cada litro de combustível que os portugueses pagam em espanha deixando de pagar em portugal, incluindo todas as variáveis intervenientes no processo e não apenas os impostos.
Acredito piamente que o ministro estava a falar a sério quando fez tal apelo, mas esqueceu-se que está a apelar a todos aqueles que contam os cêntimos necessários para encher o depósito de combustível quer seja em portugal quer seja em espanha.
Nem sequer sei se lhe ficou bem fazer este apelo, quando sabe que não tem qualquer razão e também sabe que "vale" a pena fazer vinte ou trinta quilómetros para meter no depósito cinquenta litros de combustível numa qualquer bomba espanhola.
Mais valia,  senhor ministro, "taxar" devidamente a importação da áfrica do sul ou do peru ou do chile ou da nova zelândia ou da austrália ou de outro país qualquer do outro lado do mundo de uma vasta gama de produtos existentes em portugal.

9.3.16

Felicidades

Que os deuses o protejam, sempre e a toda a hora.
Dos outros.
E, principalmente, dele próprio.

7.3.16

O meio tempo

Quando estiver em portugal, não estará na inglaterra; quando estiver na inglaterra, não estará em portugal; quando andar de avião, sabe-se lá onde estará.
Mas alguém no seu perfeito juízo dará por falta da criatura quando não estiver onde deveria estar?
Alguém,de boa fé, julgará alguém por estar num determinado lugar e não estar noutro lugar, onde eventualmente e só eventualmente alguém pode precisar da sua atenção?
Deixemo-nos de palermices e entendamos que as duas coisas se revestem de um aspecto muito particular que dá pelo nome de "part time", mesmo que os respetivos patrões entendam que se trata de dois "full time".
Os juízos sobre esta insólita e estranha situação deriva do facto de o trabalho da assembleia da república ser considerado para alguns como uma coisa de se levar a sério, normalmente para aqueles que nada mais fazem ou sabem fazer e há alguns e para outros, os tais senhores disto tudo, como uma coisa para merecer um pouco de atenção e nunca preocupação,porque o salário é mijoruca e o que se faz não é digno de gente importante.
Há quem queira fazer parecer que a coisa deveria ser levado um pouco mais à séria, principalmente nos primeiros tempos, para que não se fique a pensar que  a cereja no topo do bolo não passa de uma compensação por alguma que se fez e que não se deveria ter feito ou pelos feito daquela maneira.
Todos lá terão as suas razões, mas o facto é que estar a tempo inteiro como representante do povo para o que foi devido e merecidamente eleito e ao mesmo tempo ocupar-se dos interesses de uma empresa privada que se serve e vive da miséria dos outros é um tanto ou quanto chocante e difícil de engolir sem que se tenha uma qualquer opinião menos própria sobre a matéria.
De qualquer modo, uns dizem que sim, outros dizem que não, mas tudo vai continuar como dantes: quem pode aproveita, quem não pode fica a chuchar no que tiver mais à mão...

O tempo livre

Não passam de uma cambada de invejosos: mal uma pessoa tenha uma oportunidade para tratar da vida logo se levantam as vozes dos que não acordaram com o cu voltado para a lua.
Nunca ninguém se pode esquecer que a vida não é mais que um momento e que esse momento não pode de modo algum ser desperdiçado. 
Esse tal momento só acontece uma vez, como a água só passa uma única vez por baixo da ponte. Depois virá mais, mas já é diferente da anterior e assim sucessivamente.
De modo que ninguém poderá negar a ninguém a hipótese única de aproveitar a única dádiva que se deve aceitar de bom grado: compor a vida.
A madama não teve mais que agarrar com unhas e dentes a rara oportunidade que lhe deram de tratar do seu bem-estar bem como o da sua família com custos totalmente marginais.
Mesmo que fossem cinco dias por mês a sua ocupação a troco duns largos milhares de euros não me digam que era matéria para se rejeitar, mesmo que estivesse em causa uma falsa moral relacionada com o seu mandato de eleita ao serviço do povo.
Este povo nem sequer a leva a mal por aceitar e exercer, ao mesmo tempo, dois papéis completamente diferentes um do outro.
Uma pessoa inteligente com muitas capacidades não teme nem sequer se questiona se pode ou não pode ou se é capaz não de desempenhar dois papeis diametralmente opostos no seu significado. O que importa é que o desempenho de um não prejudique o desempenho do outro, até porque não está desacompanhada nesta matéria.
Quantos são os eleitos que se dedicam de alma e coração ao cumprimento do mandato para que foram eleitos sem terem mais qualquer coisinha que lhes ocupe o tempo livre?
Nem toda a gente se questiona sobre a moral, a ética e os bons costumes quando está em causa uma conta bancária disponível para receber todos os meses uns milhares sem se se saber nem como nem porquê, mas tão somente porque um dia se exerceu uma função adequada a ser reconhecida num determinado momento e em seu devido tempo.
Dirão as más línguas que não se tem tempo para desempenhar e a contento de todos dois papéis altamente exigentes, mas está bem de ver que se um a pode ocupar durante quatro ou cinco dias por mês, o outro  pode esperar porque não vai mal ao mundo, que é como quem diz, a república não se vai queixar...
Eu também não.
Que lhe faça bom proveito.
Mas, porque é que os "beefs" se lembraram desta?


4.3.16

O culpado

Nos dias que correm, a fábula do lobo e do cordeiro diz muito pouca coisa ao pessoal que se habituou a desligar de encontrar as causas das coisas e estar atento apenas ao que nos pode dar um proveito direto.
Que é como quem diz: pouco me interessa se me querem imputar qualquer tipo de responsabilidade pelo que faço, se o que fiz tem por base aquilo que outro fez.
Bem vistas as coisas a senhora tem razão: como posso eu assumir a responsabilidade de uma decisão que não é minha, que contraria uma decisão que é minha, mas se produziu tendo por base uma coisa que uma terceira pessoa fez?
Como se torna evidente, a anulação ou a nulidade de um ato, pressupõe com toda a evidência que esteja em vigor esse mesmo acto.
Contudo se quem anulou ou  considerou a sua nulidade não foi o autor desse mesmo ato, é razoável e plausível que a responsabilidade de tudo o que sucedeu posteriormente se deva atribuir a quem praticou o ato inicial.
Sempre estive convencido que o desgraçado do afonso henriques nunca deveria ter nascido e que se se o tivesse feito de livre vontade deveria tal nascimento ter ocorrido lá para a índia, no pressuposto da sua existência naqueles tempos...
Do mesmo, aquele sacristas do beato e do fradeco de avis deveriam ser chamados à responsabilidade por terem chateado os filipes quando estavam a governar esta terra miserável que só dava chatices.
Mas não... Armaram-se em valentões e não descansaram enquanto não fizeram asneira da grossa.
E agora pagamos nós.
O engenheiro, então primeiro, terá deixado fazer ou fez merda da grossa.
A madama quis ficar bem aos olhos do pessoal e trata de mandar às urtigas quem deveria ser mandado às urtigas, mas de modos decentes e educados, reais e legais.
Vai daí, lavam-se as mãos da porcaria feita e identifica-se o culpado: o engenheiro, quando foi primeiro, por responsabilidade da teresa, que nunca deveria ter nascido...


26.2.16

A medalha

Desde há uns tempos a esta parte tenho mantido permanentemente o telemóvel dentro do bolso e, quando tal se torna impossível por qualquer motivo, saco do telefone fixo e faço-o meu companheiro e cúmplice de todos os meus atos.
Não posso e não quero perder a oportunidade de atender a tão esperada chamada com origem em belém para me dar a informação que, finalmente, chegou a minha vez de ser condecorado antes de o atual residente assentar arraiais lá bem para o sul onde não chateie ninguém.
Não tenho razões para duvidar do merecimento da atribuição de uma medalha à minha pessoa pelo simples facto de ver atribuídas as ditas a outros indivíduos que pouco ou nada fizeram para a merecer.
De modo que e bem vistas as coisas, o facto de se ser um cidadão normal, cumpridor de todas as suas obrigações sociais, morais, políticas, fiscais e tudo o mais, é motivo suficiente para ostentar ao peito a merecida medalha atribuída por quem de direito.
Tenho na minha coleção de medalhas umas quantas que me foram oferecidas  por muito menos mérito do que me é agora devido pelo simples motivo de nunca ter fugido ao pagamento de impostos e nunca ter aldrabado o estado em tudo e em mais alguma coisa.
Certamente que o que acabo de afirmar não será, não tenho muitas dúvidas disso, o caso de muito dos felizes contemplados com uma medalha que aguarda pacientemente até ao limite do tempo.
É verdade que já tenho umas recordações também deveras importantes como sejam uma lembrança oferecida pelo glorioso passados os vinte e cinco anos de sócio, o mesmo sucedendo com o acp.
Mas isto  nada tem a ver com uma medalhinha atribuída por tão eminente personalidade da nação.
Continuo a aguardar, porque ainda faltam uns dias para que o pessoal se veja livre desta fabulosa criatura que vamos deixar de ver de vez em quando ao serviço do povo para  nos fazer lembrar que os nossos pecados não foram perdoados e que continua a sua dolorosa expiação...
Vou lamentar profundamente a ausência de uma medalha e juro, aqui e agora, que nunca perdoarei tamanha afronta ao mérito de quem merece...

25.2.16

A experiência

Não sei o que mais fazer para resolver o meu magno problema.
Não se trata da discussão do orçamento; não se trata de saber se a austeridade acabou, se a austeridade continuou; não me interessa discutir seja o que for que ponha em causa esta obra magistral de homens mais magistrais ainda que dá pelo nome de "União Europeia".
E também não se trata de estar preocupado pela saída ou permanência dos ingleses na união.
A bem dizer estou-me perfeitamente nas tintas para tudo isto e também me estou totalmente nas tintas para a falência do maior banco privado alemão.
Por muito menos caiu o carmo e a trindade aqui em portugal e eu nem soube do que se tratou.
O que realmente me preocupa é ser ou não ser capaz de enviar para este sítio os meus textos escritos a partir do editor habitual, isto é, o meu editor habitual...
Este assunto dá-me a volta aos intestinos de tal modo que ando permanentemente chateado com esta matéria. e com umas fortes dores de cabeça, que me indique de prestação ao enormíssimo problema da ética na arbitragem do futebol português.
Na verdade não sei se ando chateado com esta dificuldade se com o facto de a europa continuar a ser inundada com pessoal a fugir da guerra alimentada pelos fabricantes e vendedores europeus de armas que tornam a guerra possível ali para aqueles lados.
Mas como o mundo é um mundo de hipocrisia total, que tudo continue na mesma, apesar de não ser capaz de publicar mensagens a partir do meu editor preferido.
Até quando?
Até quando for...

3.1.16

Os desejos

Por estes dias, toda a minha gente desata a formular desejos e a fazer pedidos quase todos no sentido de acentuar o egoísmo universal.
Desta vez, vou pedir duas ou tgrês coisas para o bem de todo o mundo e arredores, ficando desde logo convencido da nulidade dos seus efeitos.
Contudo, a esperança em dias melhores não se desvanece pelo facto de se perder  uma batalha quando a guerra continua.
Aqui vai:
Em primeiro lugar, desejo que os comentadores, os politólogos, os especialistas e todos os outros que botam faladura  não se esqueçam de continuar a brindar-nos com a expressão "digamos assim", pois não queremos ficar privados de uma das melhores coisas quje essa gente nos pode oferecer:a transição para o esquecimento.
Em segundo lugar, peço aos deuses dos céus e das terras que continuem a iluminar as mentes dos nossos jornalistas e repórteres do microfone para que nunca se esqueçam de utilizar a cada cinco segundos das suas intervenções microfónicas a expressão "então". Sem ela estaremos privados do sentido, da clareza, da verdade, da certeza, da qualidade do jornalismo praticado nos nossos canais de informação. Já me chega que os jornalistas, leitores de notícias, me privem de ouvir aquela sonoridade musical do advérbio ainda pouco utilizado pelo pessoal, cujo instrumento fálico agora já colorido utilizado nas suas funções me faz lembrar um "bordalo de cabeça encarnada".
Por último e não menos importante queria chamar a atenção dos canais de televisão para uma carência inadmissível que não podemos suportar por muito mais tempo: precisamos urgentemente de mais uma hora de emissão, pelo menos, durante a manhã e durante a tarde, dedicada exclusivamente ao desporto rei, isto é, o "futebol". Pode parecer estranho, mas o que temos na segunda, na terça, na quarta, na quinta, na sexta, no sábado e ao domingo pela noite não satisfaz as necessidades do pessoal, tanto mais que nas manhãs e nas tarde de todos os dias estamos cheios daqueles programas altamente culturais que nos fazem mal à cabeça e que abusam do 760...

1.1.16

A chuva primeira

Já começou e com chuva!!!
É um dos  meus desejos:  que chova até que os regatos, os ribeiros, os rios, as barragens, as nascentes, os lençóis freáticos fiquem de tal modo cheios que satisfaçam todas as nossas necessidades.
Outros poderiam ser citados, mas ficam nos meus neurónios, esperando ansiosamente que se cumpram: o mundo ficaria melhor.
Mas se não forem cumpridos na totalidade, pelos menos que dois ou três se tornem realidade para que Portugal seja um pouco mais liberto de passarões...
Bem vistas as coisas eu já ficava satisfeito com ver na prisão dois ou três tipos que tornaram este país um dos mais miseráveis da europa.
Talvez que os deuses se entusiasmem de tal modo que esta terra comece a ter uma razão de ser,   de estar e de existir.
Amanhã a realidade da situação vai entrar na cabeça de cada um e todos iniciaremos mais uma caminhada, sem que se vislumbre o carreiro que se deve seguir, pois não temos um sinal nem uma estrela que nos mostre a direcção certa...
Veremos até onde vamos chegar... 

31.12.15

Já foi

Já foi.
Não fico com saudades da porcaria, da javardice, da sacanice, da albrabice, da roubalheira...
E muito menos de javardos, de sacanas, de aldrabões, de gatunos...
Salve-se a alma lusitana, na qual deposito as justas esperanças de uma vida melhor...
Será nossa... de todos os que aspiram à paz e à liberdade sem necessidade de pisar os outros...

28.11.15

A inveja

Venho aqui manifestar a minha admiração pelo sentido ético e vertical do crânio encarregado da venda do novo banco.
Parece que o homem não vai ganhar trinta mil euros, como referi anteriormente fazendo-me eco dos títulos da imprensa, mas apenas a módica quantia de vinte e cinco mil, sem direito a complemento e sem usufruto de popó, dado que o contrato é de doze meses.
Fiquei muito satisfeito pelo facto do contrato durar apenas doze meses, porque se trata de um claro sinal que o cérebro vai vender o banco neste período de tempo, não havendo renovação ou prolongamento do prazo estabelecido.
Se esta eminente criatura for capaz de "vender" o banco no prazo de um ano sem o entregar ao desbarato a um qualquer grupo estrangeiro, ficaríamos eternamente agradecidos pela sua infinita e incontestada capacidade de resolver graves problemas que ninguém foi capaz de solucionar sem entrar nos bolsos dos contribuintes.
Certamente que todo o pessoal daria por bem empregue o montante que o génio vai receber  pelo período de um ano.
Mas as coisas já não estão a correr de feição: os tipos da caixa geral de depósitos já estão a fazer barulho só motivados e impulsionados pela inveja por alguém se ter lembrado que o homem predestinado para vender o novo banco estava mesmo ali à mão de semear sem qualquer necessidade de olhar para os stocks que por aí andam.
Que diferença faz àqueles senhores da caixa geral de depósitos que este senhor, que é da família, tenha sido contratado para entregar o novo banco a um qualquer grupo chinês?
Terão pensado, como eu pensei, que por vinte e cinco mil euros ao mês, mesmo sem complementos, sem prémios e sem popó, qualquer um o poderá fazer, depois de serem lá colocados mais umas centenas de milhões de euros, encerradas umas dezenas de agências e postos na rua um milhar de trabalhadores, sem que tenha a mínima importância a sua origem: se dos bancos acionistas do fundo de resolução, se do orçamento direta ou indiretamente.
Não fico com a mínima dúvida que este cérebro será capaz de levar a água ao seu moínho com uma perna às costas, se se tiver presente o que ele fez com empresas públicas da área dos transportes e etcetera e tal, sempre na sagrada salvaguarda do interesse público.
E fica dito: não são trinta mil, mas apenas vinte e cinco mil.
Que tenham paciência os invejosos, porque deles não será o reino das privatizações...

27.11.15

A sacanice

A contratação já era do conhecimento público, pois o homem ainda  não tinha cessado as suas funções de membro do governo e já tinha sido chamado a novas funções, desta vez, ao serviço do banco de portugal para "vender" o novo banco.
O que não se sabia ou, pelo menos, não eram do conhecimento público os honorários (salários) de pessoa tão inteligente e de tanta relevância para o êxito de uma empreitada como a de vender o novo banco, o tal banco que, sendo novo, já custara milhões ao estado, como se o estado tivesse à sua disposição tanto milhão que não tivessem qualquer ujtilidade para outro elevado objectivo.  
Corria nos ecrans das televisões a notícia sobre os custos deste importante senhor: nada mais nada menos que trinta mil euros por mês, coisa correspondente ao valor da transação que se se propõe efectuar: a venda do novo banco a alguém que o queira comprar.
Se fizermos fé no que aconteceu com situações anteriores, isto é, com vendas anteriores em que esteve envolvido este "crack", poderemos deduzir que a coisa não terá grandes dificuldades em chegar a uma conclusão.
Contudo, restará saber se a conclusão será semelhante às soluções encontradas para situações em que este envolvida esta sumidade em vendas de património do estado a capitais estrangeiros.
Não será muito difícil pensar que os procedimentos não serão muito diferentes do que aconteceu noutros casos de venda de património do estado a quem se dispôs a negociar com este inteligente negociador.
A coisa que temos mais próxima e ainda a ressoar nos nossos ouvidos foi a venda da transportadora áerea nacional a um consórcio com um testa de ferro português dono de umas quantas empresas de transportes terrestres e um luso americano parcialmente dono de umas empresas de transporte aéreo meio falidas e com milhões de dívidas.
Mas este inteligente não teve qualquer dificuldade em "entregar" por uns quantos milhões uma empresa que valia bem mais que esses milhões, mesmo colocando de parte e de lado as dívidas aos bancos, que ficaram à responsabilidade do estado português.
Isto é, este senhor entrega quase de borla uma empresa área a privados sem incluir as respectivas dívidas, como se se tratasse de venda de um pacote de amendoins importados da china e deixando de lado os produzidos e cultivados no ribatejo e em transosmontes.
O país ficou altamente agradecido pelos reais favores devidos a esta personalidade e vai daí é contratado para  doar o novo banco a quem quiser dar uns milhõezitos pelos muitos milhões ali investidos pelo estado português.
Assim se reconhece e se premeia a sacanice de entregar Portugal ao capital estrangeiro.  
Lamento profundamente que Portugal não tenha uma boa meia dúzia de gente como esta para podermos acabar de vez com o que resta de valor nesta terra miserável.
Será que o novo governo ainda poderá ter uma palavra a dizer sobre este contrato milionário?

14.11.15

O sacrifício

Quando acabarem as cerimónias fúnebres oficiais, as sentidas homenagens dos populares e os discursos, lamentações e lágrimas de  crocodilo de grande parte de políticos e de pessoas importantes o que é se vai seguir?
Certamente que uma análise profunda de todas as causas e fundamentos deste drama gigantesco que assola a Europa e não deixa em paz o povo que não tem qualquer culpa e responsabilidade de tudo o que nos está a acontecer.
Certamente que uma actuação digna de gente de bem ao serviço dos desgraçados que são explorados de todas as maneiras ao saírem de suas terras para demandar o eldorado europeu.
Certamente que uma alteração radical dos processos que têm conduzido a este fenomenal movimento migratório a partir do médio oriente e da áfrica subsariana, onde a riqueza e a miséria andam de mãos dadas ao serviço de ditadores, de corruptos, de caiques e de senhores da guerra.
Certamente que uma paragem no fornecimento de armas e artefactos bélicos aos movimentos terroristas e às ditaduras do dinheiro e do petróleo e de outras matérias primas que agora têm pouca importância estratégica, mas que dentro de poucos anos estarão na disputa dos poderosos.
Certamente que uma correção de todas as asneiras feitas pelos europeus e pelos américas em nome da democracia, semeando, incentivando e cultivando a guerra como forma de domínio sobre os desgraçados com o fino objectivo de maiores lucros para satisfazer o capital.
Certamente que uma vigilância total e absoluta sobre os pontos de origem deste monumental fluxo migratório com proporções nunca vistas e deixar de insistir sobre os pontos de chegada aos territórios europeus, mesmo que sejam considerados de passagem.
Certamente que uma visão realista do fenómeno migratório que não se satisfaz com o primeiro país que encontra pelo caminha, mas começa a exigir o ingresso num determinado território de melhor proteção social e condição condição económica.
Tudo isto poderá ser uma miragem, porque já se fala em enviar lá não sei para onde uns quantos milhões de dólares ou euros, que servirão em grande parte para tornar ainda mais ricos os ricos, dar poder aos ditadores e ajudar um pouco mais os caciques e os senhores da guerra, que anseiam por dinheiro fresco.
Alguma vez se saberá quantos destes milhões vão chegar aos pobres e aos necessitados e a todos aqueles que não um cêntimo para pagar a ENTRADA NUM BARCO MISERÁVEL ?
O que é que vai acontecer quando se derem como terminadas as experiências de novo armamento, de novo equipamento e de novas bombas ?
O que é que vai acontecer quando se acabarem os stocks existentes de armamento bélico?
Alguém vai continuar a brincar com os europeus e com os americanos, tão só porque a democracia não permite determinadas liberdades utilizadas por muita gente, que, de vez em quando, espalha o terror numa qualquer cidade de um qualquer país... 
Que o sacrifício final tenha valido a pena.



11.11.15

A queda

Hoje não tenho paciência para mais.
É só para registar a queda.
Voltou tudo às mãos do todo poderoso de belém.
Como já tem previsto e estudado este cenário não lhe será difícil encontrar a devida solução.
A bem da nação...

9.11.15

A apresentação

Quem teve a oportunidade, a curiosidade, a paciência e até a ousadia de ver e ouvir a apresentação e início da discussão do programa do vigésimo governo constitucional deparou-se com uma situação insólita e inesperada.
Nem o primeiro resistiu à tentação de atirar para as urtigas o programa do seu governo para disparar as setas quase envenenadas para o seu lado esquerdo atirando-se como gato a bofes ao possível e desconhecido, mas quase certo, acordo dos quatro partidos da esquerda com assento parlamentar.
Depois foi o que se conseguiu ouvir: pouco interessava a discussão do programa do governo, pois o que estava na mente de todos os deputados da coligação era o desconhecimento dos acordos e a necessidade imperiosa de os conhecer, como se já se tratasse da apresentação de um hipotético governo das esquerdas, quando nem sequer tinha sido discutido o programa do actual.
Tudo nos levava a crer que o objecto da discussão era o programa do vigésimo primeiro governo constitucional, depois da queda do vigésimo e da respectiva nomeação do vigésimo primeiro, depois da suprema decisão do presidente da república.
Foi um total devaneio político: tu já não és tu, mas tu ainda não és tu, porque eu ainda sou eu e só deixarei de o ser quando tu fores tu, o que eu não acredito que sejas, mas estou totalmente convencido que mais hora menos hora já não serei o que sou agora.
Independentemente da razão de uns e de outros, da tradição, dos usos e dos costumes entendo que é chegado o tempo de o pessoal se convencer e admitir que a mudança é inevitável no processo democrático e que as verdades e as certezas variam conforme a direção do sopro dos ventos.
Não valerá muito a pena insistir na questão do cumprimento da tradição, uma vez que as circunstâncias dos tempos se alteram conforme as necessidades e as oportunidades.
De resto, foi muito desagradável ver e ouvir alguns deputados proferir frases e afirmações que mais pareciam de autênticos carroceiros e não de lídimos representantes eleitos pelo povo.
Cada um pode ler os resultados eleitorais conforme os seus interesses, as suas ideologias e as posições políticas em que se coloquem ou em que se encontrem, mas devem ser tidas em conta todas as soluções que os resultados tornem possíveis sem que seja necessário denominar as posições dos adversários como "desonestidade intelectual" e outras coisas do mesmo jaez.
É feio, é inútil, e só torna a situação ainda mais deplorável do que verdadeiramente é.
Pelo que vi e ouvi durante a tarde desta segunda feira, dia nove de novembro do ano da graça do dois mil e quinze, o presidente não terá outro remédio que nomear um governo de esquerda nos próximos tempos, mesmo contra a sua vontade... pois o actual já não está
PS: Ficámos a saber que as bolsas europeias sofreram um trambolhão devido à instabilidade política em Portugal...
Que os deuses me valham...
 


3.11.15

A demissão

Já tinham feito da senhora uma estrela em ascensão no mundo da política, de tal modo que estava em tudo o que era programa noticioso das televisões, como se não fosse possível qualquer acontecimento sem umas palavrinhas a propósito.
Agora já estão a transformá-la em ministra e o mais certo é que o venha a ser, mas não se sabe bem é quando, para lembrar um dos que já passaram...
Na verdade, estamos perante uma situação bem bizarra.
O presidente não quer e tem horror a quem quer pensar sequer numacoisa destas.
Os da direita parece já estarem por tudo, tal é o esquecimento a que se votaram nos últimos dias.
Os da esquerda continuam em discussão, mas ainda não se entenderam.
Por outro lado, as coisas tomaram um orientação tal que sair dela será uma calamidade para uns quantos e nada mais restará que votarem-se também ao esquecimento, ocupar por uns tempos os seus lugares de deputados e passar a chatear os que agora os chateiam.
Bem vistas as coisas, poucas dúvidas existem nos jornadores e nos comentalistas para a inevitabilidade de a senhora vir a ser ministra dentro de pouco tempo e se assim for haverá alguma certeza de não ser pior ministra que outros e outras que já por lá passaram.
Esta coisa do destino nem sempre bate certo: dizem que somos nós que o fazemos, mas neste caso não sei se assim será.
Para mim tanto se me dá como se me deu, pois o que vier a  acontecer já está escrito nas profecias dos comentalistas e dos jornadores.
Pela minha parte, não deixo de ser coerente com o que já escrevi aqui: o homem não dará posse a um governo das esquerdas, mesmo que seja essa a única solução razoável perante as circunstâncias  de um pseudo governo que foi empossado há uns poucos dias e que ainda não se dignou dizer aos portugueses umas palavrinhas de consolo, de gratidão e de votos de paz e tranquilidade para os próximos tempos, a não ser o que se ouviu por parte daquele ministro que avalizou a idoneidade do maior banqueiro desta terra, a propósito das desgraças climatéricas algarvias...
A senhora pode ir a ministra, mas a sua nomeação e respetiva tomada de posse só poderá ser o último acto oficial do presidente.
Na hora seguinte só terá um caminho: a sua demissão e ir gozar as reformas...


31.10.15

Foi tradição

Num incerto dia do mês de maio/agosto de todos os anos, os portugueses, crentes, ateus, agnósticos e os sem quaisquer opções, beneficiavam de um feriado, institucionalizado há muitos anos, para celebrar uma festividade da igreja católica romana. Contudo, os passos e os portas, entendendo que se tratava de uma celebração discriminatória, tiveram por bem riscá-la do calendário mandando para as urtigas a tradição.
No dia cinco de outubro de todos os anos, os portugueses, fascistas, comunistas, progressistas, reacionários, socialistas, esquerdistas, centristas e direitistas, monárquicos e republicanos, beneficiavam de um dia de descanso oficial para utilizar, cada um à sua maneira, o dia da implantação da república e lembrar que um parvalhão qualquer pode mandar para o outro lado da vida um rei e um príncipe, sem que se tenha tempo para descer da carroça. Contudo, os passos e os portas retiraram do calendário o feriado, que já durava há uma porrada de anos e anular a tradição, que não era tradição porque ofendia muitos portugueses que sentiam saudades da monarquia e não se reviam na república, com toda a razão, diga-se a propósito.
No dia um de novembro de todos os anos, os portugueses utilizavam o dia para festejar todos os santos independentemente da crença religiosa e aproveitavam o dia para homenagear com um ramo de flores, mesmo de plástico, as campas dos seus antepassados, já partidos desta vida miserável. Mas os passos e os portas entenderam que santos eram aqueles que com eles concordavam e os mortos, porque já estão mortos, não careciam de flores todos os anos e daí fizeram mais uma cruz no calendário, para demonstrar que a tradição é quando lhes dá jeito e quando eles querem.
No dia um de dezembro de todos os anos, os portugueses, principalmente os patriotas, dispunham de um dia para lembrar e relembrar que esta terra, quando é preciso, tem tudo no sítio e não serve de desculpa o poder dos filipes, dos andeiros e de quaisquer outros, quando o povo quer e exige, mesmo à custa de facadas e de espadeiradas. Mas os passos e os portas vieram lembrar também que a glorificação dos nossos gloriosos pode ter um efeito pernicioso com uma eventual rejeição dos actuais mandatários dos mandões estrangeiros, o que não seria bom para a saúde das finanças públicas, pelo que seria razoável retirar do calendário esta duvidosa tradição, em eventual violação do tratado de lisboa e do tratado orçamental.
Sempre se disse que "não há regra sem exceção" e que a lei foi feita para ser desrespeitada.
Um dia qualquer a tradição pode deixar de ser tradição, desde que... haja alguém que a quebre.
Sempre aconteceu e sempre acontecerá...

Era a tradição

A partir do dia cinco de outubro do ano da graça de dois mil e quinze a tradição tomou conta do imaginário dos políticos portugueses.
Até então era raro chamar a tradição para justificar ou fundamentar comportamentos, acontecimentos, posições e decisões de pessoas e até de instituições.
Não era tradição chamar a tradição para a política quando os decisores políticos tomavam esta ou aquela posição sobre um determinado acontecimento ou situação.
Ninguém se lembrou, até àquele fatídico dia, de apresentar a tradição como processo justificador de termos um país atrasado e miserável.
Ninguém se lembrou, até àquele fatídico dia, de apresentar a tradição como causa e razão suficiente de uma vida inteira a mendigar uma côdea de pão para enganar o estômago e matar a fome...
Ninguém se lembrou, até àquele fatídico dia, para utilizar a tradição para absolver as matanças e os holocaustos que sacrificaram milhões de pessoas em todo o mundo.
Mas agora parece que a tradição já tem pés para justificar e fundamentar um movimento contra o progresso, contra a mudança, contra a alteração, contra tudo o que possa influenciar o desenvolvimento político, social, económico e cultural de um povo.
Parece que a tradição não pode  contrariar os movimentos sociais que possam surgir das desigualdades das pessoas, quer se fale da pobreza, da riqueza, da miséria ou da felicidade.
Também parece que a tradição não pode admitir que aconteça agora, porque nunca antes aconteceu, pelo que não pode acontecer mesmo que seja inevitável acontecer.
Na prática, estamos a reduzir a tradição a uma arma de arremesso contra a mudança natural que acompanha o tempo como medida do movimento.
Estaríamos ainda na idade do paraíso do éden se a tradição não admitisse que a mudança e a transformação dos usos e dos costumes fazem parte da formação da personalidade humana.
A propósito de uma situação política que não tinha acontecido nos últimos quarenta anos, mas que aconteceu agora, pretende-se chamar a tradição como argumento contra uma eventual alteração do processo político da nomeação de um governo.
Não sei se é mais triste o argumento e os "argumentantes".
Mas sei que a resistência à mudança é uma das variáveis mais perniciosa para o desenvolvimento de uma sociedade.

23.10.15

A primeira

Endoidou.
Pifou. 
Escafedeu-se
O mole virou duro.
A múmia paralítica bateu com a cabeça naparece e voltou pó.
Aquela cabeça pensadora queimou os fusíveis e derreteu os neurónios.

Não quero; não quero; não quero!
Não aceito; não aceito; não aceito! 
Eu sou eu e as circunstâncias que se amolem!
Quem nunca foi por mim, não terá nada de mim.
Quem sempre me ofendeu, não terá o meu beneplácito.
Quem passou a vida a chatear-me o juízo (será que tenho?) não conta comigo.
Não querem lá ver que agora pretendiam produzir cereais quando o mercado está a abarrotar de trigo?
Não querem lá ver que agora não queriam aceitar as ofertas de capital, porque temos os cofres cheios dele?
Não querem lá ver que pretendem arranjar com os outros o que não conseguem por eles próprios?
Não querem lá ver que esta cambada estava às espera de contemplações para coisas tão sérias que exigem a máxima honestidade que não demonstram ter?
Não querem lá ver que por estarmos nos últimos segundos da última parte de toda a duração do jogo, deixava de mostrar o cartão vermelho e não marcar penalti?
Nem pensar!
Porque quem assim pensava não pensava que eu pensava deixar de pensar o que sempre pensei?
Essa treta da mudança, do desenvolvimento e do progresso não se faz à custa de amandar e atirar para as urtigas o modo como sempre se fizeram as coisas aqui por estas bandas.
É certo que precisamos de progresso, necessitamos de desenvolvimento, mas isto não pode ser feito à custa da mudança e alteração dos bons costumes, aos quais devemos a nossa história e a nossa cultura.
Essa coisa de termos que secar a fonte para sermos iguais ao primeiro rei foi chão que já deu uva e nada pode  alterar o que a tradição decreta sob pena de cairmos na mais profunda calamidade que pode levar à nossa destruição.
Eu tenho o poder  de dar os passos necessários para abrir as portas aos que me prestam a devida vassalagem e não permitir o livre acesso a quem tudo tem feito para não o merecer.
Eu quero!
Eu posso!
Tomem lá, e que se aviem!
Quem quiser e quem puder, que o faça como eu o fiz!!!
A primeira já está!!!


20.10.15

O buraco

- Meu filho, conta-me lá as diligências efectuadas para encontrares uma solução estável e duradoura.
- Desculpa, papá, mas a coisa não tem corrido tão bem como eu desejava.
- Não? Diz-me, quais foram as dificuldades?
- Olha, papá, parece que subiu à cabeça daqueles maltrapilhas uma grande vontade de serem importantes.
- Não me digas? Então os craques querem mandar nesta coisa toda ou estão a fazer-se caros?
- Muito mais que caros. Ofereci umas migalhas, mas eles querem uma quantidade de coisas que eu nem ouvi porque não as entendi em condições.
- Diz-me lá uma coisa, meu filho: estiveste a fazer de esquisito nas ofertas ou foste perdulário? Olha que com esta gente temos que ter o chicote sempre preparado, de tal modo que se estás disposto a dar uma coisa tens que receber pelo menos duas em troca.
- Pois, eu também pensei assim. Mos os sacripantas não cedem um milímetro ao metro que  eu tenho e que não quero perder.
- Oh, meu filho, toma nota que perdeste uma quantidade de coisas e não podes, sem mais nem menos,  querer que o pessoal se esqueça que não comeste os espinafres suficientes.
- De acordo, mas eu tentei atirar o barro à parede, mas o barro não ficou colado, o que me perturbou bastante e tem dificultado a solução final.
- Tem dificultado a solução final? Não entendo isso e nem sequer percebo qual é a tua dificuldade em encontrares a solução final, se ela está mesmo à frente dos teus olhos.
- Pois. Eu também pensei isso, mas aquela história da escrita e da folha de cálculo pode não ser do agrado daquela cambada, o que pode levar os tipos a não aceitarem a minha proposta.
- Na verdade, estás com um problema entre mãos, mas tudo nesta vida tem solução, como muita gente diz. Pode é não ser totalmente satisfatória como se exigia à primeira.
-Tem calma, meu filho, que tudo se há-de arranjar, nem que seja por uns tempos. O que importa é que saibas resistir com toda a veemência e não te deixes abalar por uns contratempos de meia tigela. Olha bem para o que me sucedeu a mim.
- Tem razão, mas os tempos são outros. Agora temos apenas umas moeditas, quando naquele tempo abundavam as notas que se viam e sentiam por todo o lado...
- Não sejas incrédulo. Um dia destes já não terás problemas. Deixa o tempo passar, pois mais depressa do que esperas terás o pássaro na mão.
- Espero bem que sim.
- Só tens que me prometer uma coisa: evita a todo o custo demissões irrevogáveis... porque eu já não terei oportunidade de apanhar o golpe e tapar o buraco....

18.10.15

O eixo

Uma das coisas que mais gosto na televisão é ter a possibilidade de a qualquer momento fazer uma viagem por todos os canais desde o primeiro até ao último e voltar ao que menos me chatear.
Isto não é fácil de dizer e até de fazer, mas de vez em quando lá passo uns minutos a ver e ouvir aqueles comentários de muitos comentadores que cada vez mais me ensinam a gostar menos de comentários e de comentadores, sempre desejosos de se ouvirem a eles próprios.
Outro dia, a propósito da actual tragicocómica situação da política portuguesa, tive a oportunidade de dar uma vista de olhos a uns comentários escritos referentes à "clarinha" ficando com alguma curiosidade de a ver e ouvir a perorar sobre o tema.
Vai daí deparei-me com os inefáveis comentadores do denominado "eixo do mal" divagando precisamente sobre a magna questão que tanto os preocupa.
Fiquei fixado na televisão para escutar com a máxima atenção a dita senhora e ajuizar sobre os comentários lidos anteriormente de um internauta vulgar e normal. 
Quando chegou a sua vez, consegui entender que:o costa e os socialistas não sabe o que quer e o que querem, os comunistas são comunistas e sabem o que não querem e os bloquistas são marxistas, pelo que se torna impossível particiaprem  numa solução, por falta de tradição.
Durante cerca de quatro minutos não percebi se a senhora tinha opinião sobre a matéria concreta ou se apenas se tratava de mandar bitaites e cumprir a sua obrigação de comentadora para justificar o pagamento a efectuar a devido tempo, bem merecido, diga-se de passagem.
Quando falavam os quatro ao mesmo tempo sem que ninguém os entendesse nem sequer o moderador, ainda ouvi a "clarinha" a afirmar que "... eu só quero uma boa solução".
Fiquei estupefacto pela afirmação e nunca pensei que fosse possível haver naquela cabeça pensadora uma hipótese diferente para além de uma boa solução para Portugal dos portugueses.
Passado algum tempo, pois estive cravado nos comentários cerca de quarenta minutos, terei percebido que a boa solução era apenas uma intenção e uma boa vontade da senhora que não foi capaz ou não quis dizer o que seria para ela uma boa solução.
Não tive razões para duvidar da correcção dos comentários escritos de um leitor de jornais, mas valeu a pena perder aqueles minutos todos para ter uma ideia do valor daquela comentadora, mas principalmente porque o moderador apresentou um vídeo final que me fez lembrar o que poderia ou deveria ser um verdadeiro presidente da república, digno dos portugueses.

17.10.15

Por favor

Ando a ficar com dores de cabeça porque nos últimos dias tenho-me deixado invadir pela curiosidade de ouvir alguns debates e entrevistas políticas nos diversos canais de televisão.
Não consigo entender lá muito bem como é possível os canais de televisão dedicarem tanto tempo, quando dizem que não têm tempo para nada, a colocar frente a frente, à esquerda e à direita uns quantos senhores, cujo pensamento político já se conhece perfeitamente.
Até parece que esta gente está mesmo convencida que é possível alterar o pensamento, as convicções, as certezas e, já agora, as tradições pessoas, porque num acto eleitoral não houve uma maioria absoluta de um só partido.
Até parece que é possível convencer quem tem certezas absolutas da sua verdade e alterar de um momento para outro aquilo que sempre o sustentou durante anos e anos e anos.
Dá a impressão que anda tudo louco, porque tentam de todas as maneiras encontrar respostas de acordo com as suas convicções profundas ou de acordo com os seus interesses materiais, financeiros, estruturais, sociais e profissionais, interesses que são o seu sustento com dificuldade mínima.
Toda a gente anda a basear a discussão e suposições e raciocínios n condicioonal: se isto for assim, então aquilo será assado...
O que mais me espanta são perguntas idiotas dos jornalistas alicerçadas na condição quando pretendem que a resposta seja uma afirmação no presente do indicativo.
O que me leva a concluir que aos jornalistas não interessa muito a resposta, pois o que interessa é a pergunta que não pode deixar de ser feita, mesmo que tenham a certeza que a resposta não pode ser dada.
Neste sentido tenho tendência a pensar que a finalidade desta coisa toda não é encontrar uma solução para os graves problemas que temos e que vamos continuando a ter, mas sim manter uma discussão para que os canais de televisão demonstrem ao pessoal que são essenciais para a felicidade e bem estar do pessoal, que pouco ou nada se interessa pela política.
Já agora, achei um desplante total por parte daquela personagem que declarou ter-se abstido por não sei o quê...  e a seguir aceitam convites para os bitaites do costume..
Antes valia ter feito o que fizeram uns quantos milhares de portugueses que foram votar, mas votaram nulo ou em branco; pelo menos manifestaram interesse no acto eleitoral, cumpriram o seu dever, exerceram os seus direitos e não foram convidados para estes debates.
Ten ham misericórdia de nós e não se esqueçam que temos no nosso ordenamento constitucional gente com o dever e a responsabilidade de resolver o problema do próximo governo, não sendo preciso tanto alarido.
Depois, quem quiser derrubar a casa que o faço e quem quiser manter a casa de pé que a mantenha.
Até lá, chateiem menos... por favor.
 

14.10.15

A tradição

A histeria e a propaganda assentaram arraais em jornais, em televisões, em comentaristas, em jornalistas e em quase tudo que emite opiniões.
É um ver se havias para lançar o caos, a desordem e a tragédia que ocorreriam em portugal se fosse possível um governo de esquerda.
Querem fazer crer que a gente, aqueles que pouco ou nada esperam da vida política nacional, ainda acreditamos que pode haver um governo de esquerda,mas que isso seria o fim deste país.
Mas fique todo o mundo descansado, incluíndo os mercados, porque a cabeça pensadora que reside em belém já tem tudo decidido.
Analisados que foram uma centena e meia de cenários para a formação do próximo governo de portugal, a decisão está tomada e eu sei de fonte segura qual é, uma vez que tive a possibilidade de entrar na corrente eléctrica, embora fraca, daqueles neurónios e observar ao pormenor tudo o que ia acontecer.
Vai ser assim:
O acordo entre o passos, o portas e o costa já foi, pelo que não vai haver.
O acordo entre o costa e o sousa e a catarina é possível, mas já foi.
O presidente vai ouvir os partidos, nos termos constitucionais
O presidente vai indigitar o passos como primeiro ministro para formar governo.
O passos vai formar governo.
O presidente vai empossar o governo.
O governo vai submeter aos deputados o programa.
O programa vai passar, porque o costa não vai votar contra.
O governo vai submeter o orçamento à apreciação dos deputados.
O costa não vai votar contra, pelo que o orçamento é aprovado.
Depois de tudo isto, o governo quer governar e está metido numa camisa de onze varas e vai surgir de novo e em força a tal força de bloqueio.
Entretanto, teremos um novo presidente, que se for o tal, fará um comentário a todos os partidos e vai convocar novas eleições lá para o fim do ano de dois mil e dezasseis, princípios de dois mil e dezassete.
Não consigo ver mais além.
PS: O Oliveira, aquele moço das motas, nunca deveria ter ganho o tal grande prémio, porque nunca houve anteriormente um português a ganhar um grande prémio de motociclismo, indo contra a tradição...
A mudança, o progresso e o desenvolvimento não se fazem contra a tradição?

10.10.15

A solução

Até às vinte horas e dez minutos do dia quatro de outubro do ano da graça de dois mil e quinze, os males do mundo tinham a razão e o seu fundamento nos socialistas.
Não havia coisa alguma que tivesse sido bem feita e em benefício de portugal e dos portugueses, a não ser de uns quantos amigos também socialistas.
Deram cabo de tudo, incluindo o do próprio estado.
Deixaram tudo na miséria e não fora o resgate já não teríamos existência legal...
Os socialistas eram muito piores que o diabo: este ainda tinha o inferno e dispunha dele como lhe dava na diabólica gana, mas os socialistas já tinham penhorado tudo e a dívida já estava perto dos noventa e cinco porcento da riqueza produzida. Até foram responsáveis pela subida da dívida para lá dos cento e trinta por cento do pib, sem falar dos milhares de desempregados, dos milhares de emigrantes, de todas as empresas encerradas e até dos chumbos dos alunos que não estudam a tempo e a horas de fazerem os seus exames.
Mas depois das vinte horas e quinze minutos desse mesmol dia e apesar de continuarem responsáveis por tudo o que de mau aconteceu a esta terra nos últimos cinquenta anos, deixaram de ter sarna e rapidamente se acabou o discurso da a sua culpabilização.
Foi um milagre, pois bastou que os bons perdessem a maioria absoluta que lhe dava toda a autoridade para fazerem tudo o que tivessem em mente e precisassem agora da boa vontade dos maus para continuarem na sua caminhada ao serviço do poder.
De repente o discurso mudou e apareceu a palavra "humildade", coisa que tinha desaparecido do léxico dos bons. 
Havia que pensar nalguma coisa para evitar males maiores, porque esta cambada dos socialistas podiam não se dar por derrotados e vencidos e atreverem-se a encontrar outras vias que podiam levar a mandar os bons para as urtigas, face ao acontecido nos últimos quatro anos.
Vai daí que deixou de se ouvir discursos contra os socialistas e passou-se a saber que o diabo pode tecê-las, apesar do são jorge continuar de espada em riste.
Cuidado, portugueses, porque pode estar a ser congeminada uma solução governativa  ainda mais gravosa que a pretendida pelos maus da bancarrota: pode estar aí mesmo escondida atrás da porta uma solução governativa comandada pelos socialistas com a participação dos comunistas, dos verdistas e dos bloquistas e de mais alguns esquerdistas, o que seria uma verdadeira revolução nascida a partir de um golpe de estado constitucional, mas contra a natureza da política portuguesa.
Portugueses, apesar dos socialistas serem agora menos maus, não deixaram de ser maus pelo facto de termos perdida a maioria absoluta e ser indispensável a sua boa vontade para governar mais quatro anos e continuar o nosso projecto de tornar os portugueses o povo mais pobre de toda a europa e arredores ao serviço da mão-de-obra barata para servir melhor os senhores do mundo.
A traição está aí...
  

5.10.15

A vitória

A coligação ganhou, mas perdeu.
Os socialistas perderam, mas ganharam.
Os bloquistas ganharam.
Os cdu ganharam.
Os animais ganharam.
As declarações de vitória foram as do costume.
Houve uma declaração de derrota.
O surpreendente da noite foi a festa do livre, que avanções rapidamente para os foguetes, mas os animais protestaram e lá receberam de braços abertos o deputado disputado.
Os eleitores disseram ao marinho que se fique pela europa e que por lá faça muito barulho, porque por aqui não tem lugar.
O partido mais votado foi o da abstenção, que subiu relativamente a eleições anteriores, apesar de todas as sondagens dizerem o contrário e quase todos os comentadores, jornalistas e políticos continuarem a a afirmar que os abstencionistas tinham diminuído, quando os números oficiais já diziam que tinham aumentado.
A realidade tem destas  coisas: quem perdeu cerca de oitocentos mil votos sai vencedor das eleições e quem ganha cerca de duzentos e cinquenta mil perde as eleições.
Hoje mesmo a campanha já começou: é dever nacional dos socialistas, que perderam, viabilizar o governo dos que ganharam.
É assim mesmo e tomem lá.
Surpreendidos? Vão deixar de estar muito rapidamente e o meu cartão de eleitor não ficou arrumado...
Mas não deixo de me interrogar que é feito dos quase dois milhões de pessoas na pobreza, de cerca de novos tresentos mil desempregados, dos milhões de pensionistas com a pensão mínima, dos milhares de beneficiários do rendimento social de inserção, dos trabalhadores com o salário mínimo e todos aqueles a recibos verdes e de todos aqueles sem qualquer tipo de proteção social???
Onde está seu voto ou para onde foi o seu voto?

2.10.15

A República

Está bem de ver: o homem sempre viveu à pala da República.
Quando foi estudante nem propinas pagou;
Quando foi professor ali estava a república;
Quando esteve no banco de portugal era a república;
Quando foi secretário de estado vivia da república;
Quando foi ministro alimentava-se da república;
Quando deputado lá tinha a segurança da república;
Quando foi primeiro ministro a república cuidava dele;
Enquanto presidente da república, a república nunca o deixou ficar mal.
Agora a República merecia um pequeno carinho como fosse a sua presença no dia da República.
Ontem o homem, lá do alto do seu orgulho idiota, declarava alto e a bom som que já sabia muito bem o que ia fazer com os resultados eleitorais, mesmo antes de os conhecer.
Hoje, o mesmo homem diz que precisa de reflectir sobre as suas gravíssimas decisões a tomar logo após conhecer os resultados eleitorais.
Isto acontece precisamente no dia da República pelo que o Presidente da República não pode estar presente nas comemorações da República.
É confuso?
É estranho?
É aceitável?
Para o vulgar republicano seria natural que o Presidente da República estivesse presente nas comemorações do Dia da República, mas o Presidente da República assim não o entende, adiantando para o efeito uma justificação idiota e inconsequente, tendo em conta declarações fresquinhas prestadas lá nos estates e totalmente injustificáveis tendo conta o significado das funções que exerce.
Com este homem a lógica é uma batata e a república não passa de uma fava.
Até nisto somos uns pobres de espírito, tendo o presidente que temos.
O que nos vale é que é por pouco tempo mais...
No fim de contas, o homem não se digna desonrar a República com a sua presença, mas poderia ter mandado dizer que estava com caganeira, que lhe doíam os poucos neurónios activos, que não queria incomodar, pelo que...
A gente entendia...