19.7.15

O serviço público

Fiquei  completamente convencido sobre a qualidade do serviço público prestado pela televisão pública a propósito da transmissão directa da final do campeonato do mundo de futebol de praia, que decorreu esta tarde na cidade de Espinho.
Tive a rara oportunidade de ver a entrega da medalha de bronze, da medalha de prata e da medalha de ouro aos atletas que marcaram mais golos, a entrega do prémio ao melhor guarda-redes e ao melhor atleta do campeonato e...
Tive ainda a rara oportunidade de assistir à entrega de medalhas aos árbitros da final..
E ainda tive a rara oportunidade de assistir à entrega de medalhas aos atletas das equipa classificada em terceiro lugar, aos atletas da equipa classificada em segundo lugar, mas...
Não tive a rara oportunidade de assistir à entrega das medalhas aos atletas da equipa classificada em primeiro lugar, isto é, assistir em directo à entrega das medalhas de ouro aos atletas campeões mundiais de futebol de praia.
Isto foi tanto mais de estranhar se se pensar que os campeões mundiais de futebol de praia não eram atletas gregos, aqueles desgraçados e malvados que têm desbaratado os dinheiros dos credores que tão generosamente os mantêm a viver, mas sim atletas portugueses, nados e criados em Portugal, pois acabavam de se sagrar campeões mundiais de futebol de praia, disputando a final com uma equipa lá da Oceânia ou da Polinésia francesa, sabendo-se lá onde isso fica.
Mas a selecção de Portugal, tornada campeã do mundo por força da vitória dos seus atletas, não mereceu a devida consagração por parte do serviço público de televisão prestado pela televisão pública, porque quando tudo se preparava para o efeito, alguém passou a emitir publicidade...
Quando uns tempinhos mais tarde aparecem de novo as imagens já os atletas portugueses de medalha ao peito e com a taça nas mãos faziam vibrar os corações dos portugueses que assistiram in loco à grande final, pois todos os outros que esperávamos  ver  a consagração dos nossos atletas fomos brindados com uns quantos anúncios publicitários.
Foi uma brincadeira de mau gosto, foi pura desfaçatez, foi vergonha nacional o que aconteceu neste fim de tarde do dia em que a selecção de Portugal de futebol de praia se sagrava campeã do mundo, quando a sua consagração foi substituída por publicidade.
Quem foi o responsável?
Quem assume a responsabilidade?
Quem permanece no cargo?
Quem se demite?
Depois venham com aquela história do serviço público de televisão prestado pela televisão pública, paga por todos aqueles que temos um contador de energia eléctrica, mesmo que este contador sirva apenas e tão só para fazer chegar água a meia dúzia de árvores...
Bem podem lavar as mãos com a merda que fizeram...

8.7.15

O debate do estado

De vez em quando, o esquecimento de um facto qualquer  ou de uma acção programada é razão fundamental para atribuirmos à nossa cabeça a cómoda situação de não fazermos o que poderíamos ou deveríamos fazer.
Foi o que hoje me aconteceu.
Esqueci-me, pura e simplesmente, de que era o dia do último debate sobre o estado da nação (?) antes das próximas eleições legislativas.
Suponho que terei perdido uma rara oportunidade de ouvir e ver uma discussão sobre a verdadeira política portuguesa com uma abordagem realista e séria das soluções para os problemas de uma boa maioria de portugueses.
Suponho que tenha desperdiçado a minha última oportunidade de entender o que se passa com a nação e vislumbrar qualquer coisinha do que nos pode acontecer nas e após as eleições.
Suponho que o meu esquecimento terá sido motivado e justificado por uma certa dor que tenho andado a sentir sobre o meu ombro esquerdo, sem pretender culpar quem quer que seja das causas e dos motivos da minha grave falta e falha.
Contudo, não posso entender que o meu esquecimento tenha sido motivo de discussões intracraneanas por parte de alguns deputados, pois ainda continuamos a pensar que há liberdade de ver e de ouvir quem e o quê está a passar nos canais de televisão, quer públicos quer privados, mas ainda assim, canais de televisão totalmente livres de orientações e pressões políticas.
Não posso deixar de lamentar o esquecimento, voluntário ou involuntário, do último debate do estado da nação, pois uma oportunidade desta natureza não vai ocorrer nos próximos quatro meses, pelo que estarei privado de ver e ouvir todos aqueles que, antes ou agora, são responsáveis pela minha qualidade de vida, apesar dos baixos juros praticados pelos credores, do aumento da dívida pública, dos cofres cheios de dinheiro para devolver, da carga fiscal e, finalmente, da esperança de que um dia, lá para os anos de dois mil e cem, os portugueses (?) consigam pagar alguma coisa do que agora se deve.
Apesar disto, acho agora que não tinha o direito de perder a audição e a visão do brilhantismos das intervenções de uns quantos políticos que se entendem donos e senhores da verdade, quando a mentira e a manipulação está sempre presente com a clara intenção de purificar as ideias de uns tantos desgraçados, que não reconhecem, ou não querem reconhecer os méritos e os sacrifícios de quem serve o bem público.
E ninguém me diga que a esperança é a última coisa a perder, mesmo depois da perda da dignidade.
PS.
Durante a transmissão da volta à França em bicicleta, de que não me esqueci, tive a oportunidade de contemplar imagens dos "memoriais e cemitérios" aos e dos mortos da primeira grande guerra.
Que descansem em paz todos aqueles que já foram!


19.6.15

A sessão quinzenal

Quando fazia horas para ir ao encontro de uns amigos para almoçar (é verdade, eu ainda almoço quase todos dias) tive a oportunidade de ouvir o primeiro e uns quantos deputados falando e discutindo problemas da vida portuguesa.
Gostei muito destes cerca de trinta minutos, pois senti um verdadeiro orgulho em ter como primeiro este senhor e como chefes das bancadas parlamentares aqueles ilustres deputados.
Foi uma alegria ouvir os senhores deputados a colocarem algumas questões um tanto ou quanto incómodas para a governação, mas foi delicioso ouvir as respostas do primeiro com a sua inconfundível cara de pau.
O iva aumentou?
Os senhores devem estar doidos porque o iva não aumentou.
Os apoios sociais foram diminuídos?
Isso nunca, porque os mais carenciados, apesar de continuarem mais carenciados, foram tratados com todo o cuidado.
Por isso, se a oposição não tem outras questões para colocar, vou ali e já venho, porque as eleições estão no papo.
O iva da electricidade aumentou?
Nunca!
O que realmente aconteceu foi que a electricidade pagava uma determinada taxa e passou a pagar uma outra que, por acaso, é a máxima existente.
Pelo que o entendimento dos senhores deputados não é verdadeiro ou, se quiserem, os senhores deputados não têm razão, porque o iva da electricidade não aumentou, sendo que nesta matéria como em muitas outras são bocas da oposição contra a boa governação deste país.
Que história foi essa de um ajuste directo aos estaleiros navais lá do norte para a construção de uns barquitos para a marinha?
Quando está em causa o interesse e a segurança da pátria o ajuste directo é o que mais se ajusta para fazer umas coisas que de outra maneira não poderiam ser feitas.
Para além do mais, antes davam prejuízos todos os dias e agora estão de vento em poupa com as encomendas do governo.
Estou eu a dar trabalho a uma boa quantidade de trabalhadores que estavam no desemprego e agora temos aqui uns deputados a chatearem-me o juízo sem qualquer razão.
A companhia área portuguesa?
Eu até a entregava de borla a quem a quisesse, mas lá tive que garantir a dívida existente, pelo que se eles não pagarem lá teremos nós que avançar.
Contudo, ela está privatizada, coisa que nunca ninguém foi capaz de fazer, apesar das tentativas falhadas.
Ao fim e ao cabo, estas sessões quinzenais são uma chatice, mas servem para eu dar cabo de vocês e e afinar a pontaria para o tiro ao alvo, que está ali ao virar de uns poucos meses...



Os bilhetes

Está feito.
Todas as minhas preocupações de ontem foram todas lançadas para o "galheiro" de tal modo que me sinto totalmente "aliviado" e certo com todas as certezas do mundo.
Afinal o homem está bem se saúde e, pelos vistos, recomenda-se a sua audição.
Não tive a bênção e o privilégio de o ver nas televisões, mas tive a sorte de o ouvir numa das rádios falando como de costume: seguro nas suas afirmações como se se tratassem de verdades como punhos bem torneados e cheios de potência e energia para dar e vender e até emprestar.
Não foram afirmações sobre aviões, não foram afirmações sobre o capital português que vai tomar conta dos aviões com bandeira portuguesa.
Desta vez tratava-se dos transportes rodoviários e de carris da zona de lisboa, os quais vão ser subconcessionados a privados, mas com a garantia de que não haverá aumento do preço dos bilhetes a não ser o que possa surgir da inflação, mesmo que seja negativa...
Estamos todos de acordo em duas coisas fundamentais: o homem está em pleno uso das suas capacidades físicas e mentais e vamos ter melhores transportes ao mesmo preço, porque a iniciativa privada assim o garante com a garantia do secretário de estado dos transportes.
Podemos estar totalmente descansados e aliviados de que estamos perante a realidade e perante a verdade verdadinha, pois, se assim não for, teremos durante o dia de hoje o primeiro e o segundo a corrigirem os terceiros sobre o que queriam dizer e não sobre que realmente disseram.
Vamos ficando habituados a estas coisas, na certeza de que o que vale, como explicou o comentador oficial do regime, é o que se diz em último lugar, para dar crédito e veracidade ao adágio popular "... o último a rir".
Se assim não fosse, teríamos os cofres verdadeiramente cheios de poupanças e economias próprias e não cofres cheios de empréstimos para pagar os juros de empréstimos anteriores para que os senhores do mundo possam continuar a emprestar de modo a que se mantenha aquela coisa de "... a dívida não é para pagar" nem os emprestadores querem que a dívida seja paga, mas tão só que se peça mais para aumentar a dívida e pagar os respectivos
Estamos convictos de que o capital precisa de circular para juntar mais capital... e a 
única maneira de isto acontecer é continuar a emprestar para que os juros sejam pagos...

17.6.15

Estou aliviado

Ando a ficar com uma estranha sensação que me condiciona a capacidade de aceitação das coisas que vou vendo e ouvindo.
Parece que me falta algo para que me sinta bem com deus e com o diabo, isto é, que me sinta à vontade com o que se passa no meu dia a dia.
Já não é a primeira vez que sinoa esta coisa que me causa alguns calafrios, principalmente quando estou a dormir ou até naquela situação de ausência que se sente quando estamos quase a cair para o lado devido ao sono ou à vontade de dormir.
Mas nunca como agora.
Depois de uma profunda análise de todos os factos e circunstâncias que poderiam estar na causa ou na origem desta estranha sensação, cheguei à conclusão indispensável para uma vida melhor e mais tranquila.
Não é que me convenci que o secretário de estado dos transportes tinha apanhado uma grave doença que o impedia de aparecer na televisão?
É verdade: ainda não passaram mais que uns diazinhos desde que vi pela última vez o referido senhor na televisão a perorar sobre as grandezas e os benefícios da privatização da tap e eu já já andava preocupado para encontrar e conhecer as razões e os fundamentos de tal ausência.
Embora se diga que o hábito não faz o monge, a verdade é que não aparecer todos os dias na televisão a enaltecer qualquer coisa dá origem a esta maldita sensação de insegurança e de incerteza pelo que poderia ter acontecido ao senhor.
Na fase em que se encontra o processo, a sua ausência dos ecrans das televisões pode não augurar nada de bom, principalmente se essa ausência já dura há mais de vinte e quatro horas.
Se o senhor estiver com alguma problema, aqui deixo os meus votos para que seja resolvido rapidamente porque todos os que esperam e confiam na sua alta sabedoria para resolver o problema da tap não ficarão tranquilos e sorridentes enquanto o senhor não aparecer outra vez na televisão.
Não pode haver má vontade por parte de quem quer que seja  para com o secretário de estado dos transportes por se mostrar incansável no tratamento do processo da privatização da tap e muito menos ninguém terá o direito de desejar qualquer coisa má a quem se tem dedicado com unhas e dentes neste processo altamente complicado como é o processo da privatização da tap...
Por mim, já me sinto "aliviado"...


5.6.15

A "coisa"

Foi uma dose cavalar, embora a minha tenha sido voluntária e de passarinho, pois investi apenas uns três minutos a ouvir a "coisa".
Teremos, ou melhor, terão muitas oportunidades para ouvir e ver mais do mesmo, sempre com a profunda convicção de que todos os problemas dos portugueses estavam em vigor no primeiro trimestre de dois mil e onze e que durante estes quatro anos, nada mais foi tentado que a sua eliminação para bem e saúde de todos nós.
O que aconteceu durante os últimos quatro anos teve como causa o que aconteceu nos três anos anteriores aos últimos quatro, fazendo isto lembrar-me aquela de "é a primeira vez que aqui estou desde a última vez que aqui estive".
Continuarão a martelar os ouvidos de todos aqueles que ouvem e a sacrificar a visão de todos aqueles que  conseguem vislumbrar as imagens e as caricaturas dos campeões do bem em detrimento dos malandros que nos causaram tanto mal.
São os papeis da política, porque as realidades da vida vão no sentido de contrariar muito do que se vai dizendo e afirmando sobre a continuidade do desenvolvimento social ao serviço das pessoas a par da resolução das suas necessidades, não contando com o papel dos bancos alimentares, porque sem estes, talvez que a "coisa" não fosse suficiente para acalmar os mais calmos.
Estaremos atentos ao que vai passando à frente dos nossos olhos para que o esquecimento não substitua totalmente as verdadeiras memórias do que tem ocorrido nos últimos tempos.
Muita gente tem tendência a relevar muita da porcaria que se tem feito em nome da dignidade, da liberdade e da necessidade de salvar esta terra para que se possa alimentar um pouco a esperança de uns dias melhores, mesmo que só se vislumbrem  lá bem no fundo do túnel.
Mas não há direito para que o banquete seja reservado a uns quantos que sempre viram a austeridade por um canudo, deixando a grande maioria a dar-se por satisfeita ou a contentar-se apenas com as migalhas...
Vamos ver os próximos actos e desenvolvimentos da "coisa"...



3.6.15

Não é aldrabão

Pela amostra que os nossos canais de televisão nos têm dado nas últimas semanas vai ser o bom e o bonito daqui para a frente até aos dias das próximas eleições legislativas.
Em tudo o que for jornal ou telejornal ou jornal da tarde ou da manhã ou da noite e em tudo o que for parecido com programas de notícias e comentários políticos lá teremos o inefável primeiro e o rugoso segundo e talvez alguns terceiros de quarta categoria para nos dizerem que vivemos no melhor dos mundos.
Pelo que a mudança, para além de ser injusta para quem salvou a nação da fome e da miséria e da muito conhecida e apregoada bancarrota, só pode premiar quem trabalhou arduamente para salvar o que restava deste miserável país, tornando os portugueses ainda mais pobres.
Os deuses não cometem erros e cá estarão todos os canais de televisão para nos dizerem a qualquer hora do dia e da noite que quem merece deve ficar e quem não merece não pode entrar, sendo certo que os bons serão sempre os bons e os maus nunca deixarão de o ser, mesmo que sejam vermelhos.
Estou mesmo a ver o que se vai passar: a bancarrota está ali atrás da porta para quem vier, se não forem os já cá estão, porque estes passaram o tempo todo a limpar a porcaria que os outros fizeram e agora esperam ter tempo e oportunidade para acabar com o resto.
Vou sentir uma alegria enorme quando passar a fazer ainda mais zapping do que agora, convencido de que estou a salvaguardar a minha saúde mental, sacrificando um pouco a quantidade de informação tendenciosa, mas mesmo assim, alguma informação com demagogia pelo meio.
Entendo tudo isto, mas o que não sou capaz de entender e compreender é o discurso do ministro com aspecto de sacristão  e atitude de anjo das procissões portadores de lanternas, quando nos vem com aquela coisa da descida do valor da factura da água para os portugueses residentes no interior deste encantador País.
Apeticia-me mandar-lhe as facturas da água dos meses de março e de abril de um concelho do interior profundo para que o seráfico senhor com os óculos à jesuíta tivesse presente as alterações verificadas e pudesse atestar, sem se rir, que não é aldrabão.

22.5.15

Na crista da onda

O descaramento, a pouca vergonha e a sacanice andam de mãos dadas, por mais estranha que pareça a sua origem

É o caso de um tema referido no tempo de antena de um partido do governo relativo à façanha portuguesa no âmbito das energias renováveis.

Nunca me tinha passado pela cabeça que uma matéria altamente criticada por muitos inteligentes pelas rendas pagas pelo estado aos produtores e exploradores das energias renováveis viesse a ser muito injustamente apropriada por um partido do governo.

Todos sabemos que foram suspensos alguns projectos ligados às energias renováveis quando o país estava à beira da bancarrota e foi salvo providencialmente pelo actual governo.

Virem agora orgulhar-se de um processo quase da exclusiva responsabilidade dos governo do preso mais famoso de évora é sinal de descaramento, de pouca vergonha e de sacanice, tanto mais por se tratar de um processo que tem sido alvo de graves críticas dado o seu custo e a sua duvidosa eficiência.

Mas como se trata de um assunto muito querido por todos aqueles que se armam em defensores do ambiente e que se mostram altamente preocupados pela poluição e pela camada do ozono, vale tudo até mesmo destruir e mandar para as urtigas a propriedade de uma ideia ou de umprojeto ou de uma realização, desde que isso passa ajudar a conquistar alguns votos nas próximas eleições.

Eu já tinha notado que a factura da energia eléctrica que nos chega de vez em quando Apresenta um queijo com a decomposição da proveniência ou da origem da energia que cada um de nós consome sem se dar conta do que isso significa.

De há uns tempos a esta parte podia constatar-se que a parcela proveniente das energias renováveis era superior a todas as outras componentes.

Esta realidade pouco ou nada tem a ver com as políticas da malta no exercício do poder e só os mais distraídos ou aqueles que o fazem por dever de ofício ou de compromisso é que acreditam nas patranhas de suas excelências quando se assumem, mesmo que indevidamente, como pais da criança.

Ao fim e ao cabo, o que importa é continuar na crista da onda…

21.5.15

A factura da água


Chegou-me às mãos a factura da água da minha segunda habitação e lembrei-me imediatamente de uma intervenção de sua excelência o ministro do ambiente a propósito da reestruturação do sector das águas a nível nacional.
Dizia sua excelência que as facturas da água das zonas do interior iriam ficar mais baratas, mas em contrapartida a água do litoral sofreria um agravamento nos próximos anos.
Foi com alguma curiosidade que comparei a factura do mês de março com a factura do mês de abril, deduzindo, de imediato, que sua excelência estaria a referir-se a um outro país qualquer.
Vejamos o que aconteceu
. O preço do metro cúbico do primeiro escalão (0-5) subiu 22,5%;
. A agora denominada de "tarifa fixa" do abastecimento de água subiu 4,77%;
. A tarifa fixa do saneamento subiu 29,42%;
. A tarifa fixa dos resíduos sólidos e urbanos subiu 9,91%.
Para não se ficarem a rir, os consumidores de água do concelho de avis viram a sua factura bem mais composta de alíneas, pois foram criadas cinco novas taxas a saber:
- Saneamento e resíduos sólidos e urbanos como receitas da autarquia;
- TRH componente água, TRH componente saneamento e TX Gestão de resíduos, como receitas do Estado.
É de se lhe tirar o chapéu e sua excelência o ministro deverá estar muito contente, porque sem que houvesse vozes a baterem-lhe à porta proferindo impropérios contra a sua pessoa, vê, de uma assentada, aumentarem as receitas do estado e as receitas da autarquia, quando o pessoal estaria a pensar precisamente o contrário, conforme o anunciado.
Certamente que sua excelência o ministro ainda não veio à televisão desmentir as facturas dos consumidores de água do concelho de avis, porque a coisa parece que ainda não terminou, uma vez que está para apresentar mais uma taxinha para suportar os custos da proteção civil que serve o pessoal em horas de aflição.
Ao fim e ao cabo, sua excelência sempre terá alguns argumentos para nos atirar com os valores destas facturas do fornecimento de água.
Que a reestruturação do sector; que os desperdícios; que a concentração de empresas; que os preços finais da água; que os do interior merecem alguma atenção; que os do litoral não se podem rir dos outros; que isto e mais aquilo, mas que os aumentos se justificam pela qualidade do produto fornecido e porque o ambiente merece mais este sacrifício.
Tudo bem, mas esteja caladinho...

20.5.15

A diferença

Até há bem pouco tempo os postos de trabalho eram ocupados por "trabalhadores", mas agora são os "colaboradores" que fazem tudo e mais alguma coisa nas empresas e em todas as instituições públicas e privadas.

Assim já não temos trabalhadores, pelo que já ninguém liga às greves que são feita spelos trabalhadores e constituem um dos seus direitos mais antigos e que foi o mais difícil de conquistar.

Apesar disso, as greves fazem parte do dia a dia dos trabalhadores e dos consumidores sem que daí venha mal ao mundo, a não ser para quem perde o salário e para quem se vê privado de um serviço, muitas vezes já pago.

O caso muda de figura quando se trata de uma greve feita por gente importante e de uma empresa pública em vias de privatização.

Neste caso, lá aparecem as declarações de membros do governo quase sempre no sentido da crítica e da depreciação dos números envolvidos com especiais referências aos prejuízos para o país, principalmente devido à grave situação em que se encontra.

A não ser os directamente prejudicados, ninguém notou a greve dos trabalhadores da saúde, a greve dos trabalhadores da camac, a greve dos trablhadores do metro de lisboa e outras, bem como a manifestação de trabalhadores da emef a propósito da inauguração do museu ferroviário no entroncamento.

Mas aqui houve uma pequena excepção: sua excelência o secretário de estado dos transportes botou faladura realçando o direito dos trabalhadores em se manifestarem na defesa dos seus direitos e da sua carreira profissional, embora não houvesse qualquer fundamento para o efeito.

De facto e embora a privatização, o governo já garantiu que a referida empresa pública, quando privatizada, já tem a garantia do governo para um contrato de prestação de serviços por parte da cp durante pelo menos dez anos.

Nestas circunstâncias a garantia dos postos de trabaalho era uma realidade pelo que a manifestação não tem razão de ser.

Gosto disto: a empresa pública vai ser privatizada, mas o governo, através doutra empresa pública, vai garantir o trabalho aos trabalhadores e à nova empresa saída da priovatização, prestando os mesmos serviços à mesma empresa pública, aliás a única cliente possível existente cá na terrinha.

Se isto não é um contrato igual aos celebrados com empresas privadas para as cpp, digam-me lá quais serão as diferenças.

Mas eu digo: aqueles foram celebrados pelo malandro do sócrates e estes têm a assinatura dos salvadores da pátria…

Esta terra é de outra galáxia…


 


 

15.5.15

Porque sim

Há relativamente pouco tempo deu-se uma greve nos transportes coletivos do Porto. Uns segundos nas televisões e um moita-carrasco dos ministros e dos secretários de estado, como se os utentes e pagantes daqueles transportes não tivessem os seus direitos, que foram prejudicados e não reembolsados pelos serviços já pagos e não utilizados por força da greve.

Ontem mesmo ocorreu uma greve nos transportes coletivos de Lisboa, nomeadamente na carris e no metro, facto que mereceu uns segundinhos na imprensa e mais um moita-carrasco do governo, seus ministros e seus secretários de estado, como se o pessoal não merecesse um olharzito por parte de quem nos governa e nada faz para que os utentes e pagantes continuem a utilizar o transporte já pago.

Noutros lados e noutras atividades ocorreram recentemente greves feitas pelos respetivos trabalhadores como "forma" de defender os seus direitos ou de reivindicar alguns benefícios para melhorar as suas condições de vida.

Houve lugar a intervenções dos ministros e dos secretários de estado ou contra ou a favor destas greves?

Não houve nem tinha que haver, dado que as as greves dizem respeito aos trabalhadores e aos patrões e o governo só deve intervir quando está em causa o interesse nacional e através de mecanismos previstos na lei.

Mas nesta terra há filhos e enteados, há greves e greves, há empresas e empresas, e também há intervenções dos ministros e secretários de estado muito para além do que a lei permite, sempre com um significado profundamente político, contrariando uma das partes em benefício da outra.

Foram dias seguidos de intervenções políticas de membros do governo com ataques permanentes aos grevistas que não quiseram, durante dez dias, pilotar os aviões da transportadora aérea nacional, prejudicando os milhares e milhares de portugueses na diáspora, como se fossem os culpados de todas as desgraças que acontecem neste país.

Estes dias fizeram-me lembrar aqueles outros dos tempos da luta dos trabalhadores dos estaleiros navais de viana do castelo, quando os membros do governo apareciam todos os dias na televisão a denunciar o mau comportamento dos trabalhadores grevistas e dos contestatários.

Nos dois casos atrás citados estavam em causa umas coisinhas sem importância relacionadas com os utentes e pagantes dos transportes coletivos do porto e de lisboa, mas nestes dois últimos casos estavam em causa outros voos bem mais relevantes e mais importantes, como sejam a privatização de duas empresas verdadeiramente estratégicas para a economia nacional, que não podiam continuar nas mãos do estado, porque o estado é um mau gestor…porque sim!

13.5.15

A felicidade

Pela primeira vez nas minhas oportunidades de turista resolvi comprar bilhetes de avião e reservar hotéis em separado, dado que os horários que estavam à minha disposição não me satisfaziam.

Daí que comprei os bilhetes de ida na companhia área portuguesa, aquela que uns querem privatizar e outros não querem privatizar e os bilhetes de volta numa outra companhia aérea.

Quando procedi à impressão da diversa documentação referente às reservas efectuadas fiquei imensamente satisfeito ao analisar a composição dos valores apresentados.

O preço real do bilhete de avião representava quarenta e cinco por cento do valor total, pelo que as alcavalas significavam apenas e tão só cinquenta e cinco por cento do valor total.

Desdobrando as alcavalas mais satisfeito fiquei quando verifiquei a sobretaxa de combustível era mais de cinquenta e sete por cento do valor do bilhete; a taxa de segurança-Portugal era apenas de um pouco de onze por cento; a taxa de despesas de serviço de passageiros-portugal significava a módica percentagem de vinte e oito por cento; a taxa do cartão de crédito representava a percentagem irrisória de onze por cento; e a taxa de emissão de bilhete situava-se nos catorze por cento.

Bem vistas as coisas, as alcavalas representavam cento e vinte e dois por cento do valor total pago.

Uma coisa sem significado para poder ter o prazer e a satisfação de viajar na nossa companhia aérea que uns querem privatizar e outros não querem privatizar.

Na outra companhia aérea, com escala a meio do caminho, os valores não causaram qualquer surpresa, se se considerar que o valor das taxas e sobretaxas representava quarenta e dois por cento do total do bilhete, pelo que o valor desse bilhete correspondia a cinquenta e oito por cento do total.

As diferenças dos valores absolutos não são assim tão grandes se tivermos em conta que o voo de ida é directo e no de volta vou gramar uma escala a meio do caminho.

A conclusão disto tudo é só uma: a felicidade paga-se…


 


 


 

11.5.15

Doido varrido

Encontrei o tipo com cara de marciano sentado no mesmo banco de passeio do outro dia.

Parecia triste e inquirido sobre o regresso adiantou-me que o mesmo fora suspenso, porque tinha sido informado que vinham aí uns dias de sol muito semelhantes aos que ocorrem por aqui durante o verão.

Tinha curiosidade em viver uns dias de calor a rondar os trinta graus centígrados, pois que lá na galáxia dele era coisa que não acontecia há muitos e muitos anos.

Se fosse preciso adiar a partida por mais uns dias não haveria de vir mal ao mundo e muito menos a esta terra que não deve nada a ninguém e não está comprometida com coisa alguma nem com um tipo com cara de marciano oriundo de uma longinqua galáxia no fim dos seus dias.

Llá lhe fui dizendo que essa coisa de querer experimentar uns dias de calor dos princípios do verão não era matéria de se menosprezar e ele deveria aproveitar tempo se é que lá na sua galáxia o sol já deu o que tinha a dar há muito tempo.

Mas aquelas ideias de que não devemos nada a ninguém e que não estamos comprometidos com coisa alguma é assunto sobre o qual ele, o marciano, tem informações um tanto ou quanto contraditórias.

Não me disse a quem terá ouvido que não se deve nada a ninguém nem que não temos compromissos com quem quer seja, mas a realidade parece não estar lá muito de acordo com essas opiniões.

Lá me foi dizendo que essa história de os cofres estarem cheios, que os mercados já confiam no pessoal, que os investidores já emprestam dinheiro, que as exportações estão um mimo, que a barragem do alqueva está cheia, que agora o que faz falta é os alentejanos trabalharem e não viverem à sombra da azinheira que nem sabe a idade, são vozes da reação que só servem para denegrir este país maravilhoso, que se tornou maravilhoso há pouco mais de três anos.

E continuou a dizer-me que lá na galáxia dele os empréstimos obtidos pelos particulares e pelo seu governo serviam para pagar as dívidas que eventualmente tinham sido contraídas em momentos de aflição e que não entendia lá muito bem porque é que os cofres daqui estão cheios de dinheiro se a coluna do dever é mais larga que o comprimento do túnel do rossio e até do marquês, onde teve a oportunidade de encontrar um dormitório de pessoal esquecido e ignorado por um governo que se preza de tratar bem os seus eleitores.

Claro que tive de lhe explicar que aqui na nossa terra, apesar deste sol maravilhoso, os empréstimos concedidos pelos mercados e pelos investidores estrangeiros não se destinavam a pagar a dívida mas sim a pagar os juros dessa tal dívida, procurando-se sempre que se mantenha ao mesmo nível, evitando-se a todo o custo que ela ultrapasse os valores actuais.

Coisa esquisita esta vossa terra… terei que partir se não quiser ficar doido varrido.


 

9.5.15

O regresso

"Não tenho hipótese: vou voltar à minha galáxia e deixar este país que eu queria adoptar como meu e ainda pensava trazer os meus familiares mais próximos e todos os outros que quisessem desfrutar deste sol maravilhoso.

"Já não aguento tantos desvarios como os que vejo todos os dias nas televisões e ouço nas rádios e leio nas primeiras páginas dos jornais.

"Já não suporto tanta propaganda eleitoral, bastando um pequeno acontecimento, se acontecimento se pode chamar a uma qualquer tomada de posse de uns quaisquer dirigentes partidários que ninguém diz conhecer, para que o primeiro tenha a oportunidade de mais um discurso dado em direto pelas televisões.

"Nunca pensei que num país desta dimensão houvesse tanto envolvimento de uma grande parte de políticos, governantes e legisladores na vida social dos portgugueses, quando todos deveriam estar a governar e a fazer leis que a todos servissem sem menosprezar os cidadãos que pagam isto tudo.

"Segundo me dizem, a vida deste país não passa dum teatro à moda romana, sendo que os gladiadores não lutam contra as feras e contra os seus iguais, mas passam o tempo a fazer chacota de todos os cidadãos que nada têm a ver com o assunto e pedem incansavelmente que os deixem em paz e em descanso durante um certo tempo para aliviar a cabeça e limpar as ideias de toda esta porcaria que eu tive a oportunidade de ver e observar.

"E não me venham dizer que isto se passa desde tempos imemoriáveis e que está na maneira de ser de todos os portugueses que pouco mais desejam que não seja sopas e descanso desta epidemia que grassa por todos os lados.

"Está visto que não tenho qualquer possibilidade de me adaptar a esta maneira de ser e a esta vida social e politica que envolve os portugueses.

"Lá na minha galáxia, onde a vida é bem difícil, não temos este tipo de políticos inteligentes, espertos e arrogantes que tudo sabem, que tudo querem e que tudo podem, mas sim uns dirigentes que trabalham e não discursam, que se envolvem nos problemas da malta e não se refugiam nos cofres cheios de dinheiro quando falta alguma coisa a algum dos meus concidadãos.

"Podem perguntar-me porque venho até aqui lá de tão longe a pensar ficar por cá e até a trazer os seus mais próximos e outros ainda, mas a resposta é muito simples: o nosso sol está a perder calor e isto aqui é uma maravilha.

"Finalmente, digo que não há necessidade de estragar isto tudo antes de tempo…"


 


 

O paraíso

Andava eu ali para os lados da quinta da granja e das hortas do colombo observando as batatas, as alfaces, as cebolas, os alhos, os pimentos, os tomates e outras coisas mais e eis que senão quando avistei, sentado num banco de jardim, neste caso concreto, num banco de passeio, uma figura muito semelhante àquela que aparece por aí como sendo um "marciano".

Observando mais de perto a tal figura pareceu-me com uma coloração demasiado verde para ser natural e humana, pelo que me aproximei e tentei meter conversa para entender o que se estava a passar.

Ouvi a explicação com a atenção merecida dadas as circunstâncias espaciais e temporais:

"Estou cansado, estou perturbado e confesso que não entendo nada disto.

"Andei pelo minho e todos os trás-os-montes, desci até às beiras passando pelos douros,não deixei de calcorrear o ribatejo, observei demoradamente o alentejo inteiro e dei uma vista de olhos pelo algarve.

"Em lado algum consegui ver e admirar aquele maravilhoso país descrito profusamente no tal discurso do vosso primeiro e mais uns tantos políticos da vossa terra.

"Visitei hospitais e não queira saber o que por lá vi; passei pelos centros de emprego e só vi gente triste e cabisbaixa como se fossem para o matadouro; passei uma vista de olhos pelas instalações da segurança social e aquilo estava uma desgraça; atrevi-me experimentar um curativo aqui nos meus pés por tanto andar e deparei-me com uns quantos centros de saúde fechados e sem qualquer apoio…

"De modo que estou-me a interrogar onde poderei encontrar esse tal paraíso ou jardim do éden como lhe queira chamar…"

Meu amigo, deixou de lado alguns pormenores deveras importantes para satisfazer a sua curiosidade.

Entre no ministério das finanças e aceda ao sistema informático em qualquer dos terminais e não terá grandes dificuldades em verificar onde está esse tal paraíso, tanto mais que pode fazer isto sem ser notado por quem quer que seja, dadas as suas características e capacidades para passar despercebido de toda esta gente.

Nesse tal sistema informático terá a oportunidade de verificar que na coluna do haver abundam os milhões e milhões e melhões de dólares e de euros e de mais umas quantas moedas mais deste planeta de tal modo que os cofres já não suportam nem mais um cêntimo, como que a lembrar ao tio patinhas que este país o deixa a mil quilómetros de distância quanto ao seu poderio monetário.

Contudo, não se dê trabalho de olhar para a coluna do dever se não quiser continuar a procurar esse tal paraíso…


 

7.5.15

O Jardim do Éden

Estou a imaginar a reacção dum qualquer extraterrestre que aterrasse em Portugal num dia destes e tivesse a oportunidade de ver e ouvir uma qualquer intervenção do primeiro, do segundo, do terceiro e de todos os outros, incluindo os secretários de estado, os deputados da maioria e os dirigentes partidários dos partidos da maioria.

Estou a imaginar que tipo de reacção teriam esses tais extraterrestres ao ouvirem as maravilhas deste recanto europeu à beira mar plantado, fazendo parte deste espaço denominado de união europeia mais o da moeda única.

Estou a imaginar o que diriam os tais extraterrestres quando tivessem de observar o país real e o país contruido a partir dos discursos ouvidos de todo aquele pessoal atrás referido.

Será que a sua primeira reacção fosse a de regressar de imediato à sua nave, rumassem ao seu planeta, estrela ou galáxia para informar os seus congéneres que tinham encontrado o país ideal para se viver?

Será que embarcavam sem armas mas com bagagens suficientes e adequadas para fazer desta terra a sua residência oficial, acolhendo-se aqui para os restos dos seus dias?

Será que a sua instalação não traria quaisquer problemas para o seu modo de vida, na sequência dos discursos ouvidos de todos aqueles que ocuparam as rádios e as televisões e os jornais?

Será que aquelas discursatas todas seriam suficientes para um juízo perfeito de todas as condições necessárias para fazer deste lugar maravilhoso o seu lar para os tempos vindouros?

Será que não se esqueceram de nada e fizeram fé em tudo o que ouviram com se estivessem na sua galáxia natal?

Será que a linguagem ouvida a quando da sua primeira visita fora manifestamente suficiente para considerar a hipótese de decidirem por um processo de emigração sem analisar outras condições indispensáveis para se viver com dignidade?

Será que apenas queriam disfrutar deste clima formidável durante um pedacinho da sua vida evitando por uns tempos o calor abrasador da sua galáxia?

Será que estes alienígenas não precisam de procurar trabalho, de garantir a saúde, de dirimir conflitos, de educação, de alimentação, etc. e tal?


 

A fazer fé no que se ouviu, no que se ouve no que se ouvirá nos próximos tempos esta terra não é Portugal dos Portugueses, é o Jardim do Éden, o Paraíso dos nossos sonhos.!!!

5.3.15

Mais reformas

Não percebo nada disto: temos as reformas todas feitas e é o que se vê.

Já fizemos a reforma da justiça; a reforma dos tribunais; a reforma do mapa judiciário e até fizemos a reforma do Citius.

Já fizemos a reforma da segurança social; a reforma da caixa geral de aposentações; a reforma do serviço nacional de saúde; a reforma dos hospitais; a reforma dos médicos e até dos enfermeiros.

Já fizemos a reforma da carris; do metro; da refer; da cp; da ep e já fizemos a reforma da ana.

Já fizemos a reforma da edp; a reforma da galp; a reforma dos ctt e já pusemos na ordem o consumo de sacos de plástico com o impostor verde.

Já fizemos a reforma do irs; a reforma do irc; a reforma do iva.

Já fizemos a reforma da rtp, da um, da dois, da três e das outras todas incluindo as antenas existentes e ainda a reforma do serviço público.

Já fizemos a reforma de grande parte das terras cultivadas; de grande dos navios de pesca e de umas quantas indústrias mais ou menos importantes para o pessoal dormir descansado.

Já fizemos quase todas as reformas necessárias ao bom funcionamento de toda a administração pública nacional, regional e local e serviços autónomos, incluindo a reforma das freguesias.

O que é preciso fazer mais para tornar este País numa terra onde corre o leite e o mel?

Não sabes? Então toma nota:

É preciso fazer a reforma de todas as reformas atrás enunciadas, nomeadamente a da segurança social, da caixa geral de aposentações, da saúde, dos hospitais, dos médicos, dos enfermeiros, da carris, do metro, da refer, da ep, do irs, do irc, de todos os outros impostos, da rtp, do serviço público, etc e tal…

E se isto ainda não te chegar para entenderes esta coisa toda, aqui vão mais umas reformas essenciais e determinantes para a saúde dos portugueses:

A reforma da caixa geral de depósitos, a reforma do banco de Portugal, a reforma de todas as autoridades fiscalizadoras das actividades económicas e se entenderes que é preciso mais, temos ainda a possibilidade de fazer a reforma da presidência da república, a reforma da assembleia da república e a reforma do governo…

No fim disto tudo, tratamos da dívida pública e do défice orçamental…

4.3.15

Temos tudo

Temos de tudo… em qualidade e quantidade.

Temos comentadores políticos; comentadores sociais; comentadores económicos; comentadores desportivos e todo o tipo de "…ólogos", cujos conhecimentos são essenciais para a formação da cultura portuguesa.

Temos políticos, temos deputados, temos secretários de estado, temos ministros e temos um vice e um primeiro, cuja dedicação e empenhamento não podem ser comparados com os seus homónimos e homólogos gregos, espanhóis, italianos, irlandeses… e até europeus, sem ofensa para os alemães.

Temos o maior rio da península ibérica; temos o maior rio nado e crescido e alimentado em terras portuguesas; temos o maior lago artificial da Europa.

Temos a torre de Belém mais antiga do mundo; temos o único mosteiro dos Jerónimos construído no nosso território; temos o Cristo Rei mais alto do continente europeu.

Temos o vinho do Porto; temos a alheira de Mirandela; temos a açorda alentejana; temos o cozido à portuguesa; temos o queijo de Serpa.

Temos o melhor sol, o melhor mar e as melhores praias que os europeus podem desejar.

Temos escolas do primeiro ciclo, escolas do segundo ciclo, escolas do terceiro, escolas do quarto ciclo e escolas de todos os ciclos que se podem imaginar e até temos um ministro que sabe da poda.

Temos programas de entretenimento de vários canais de televisão que nos ajudam a passar todas as tardes e todas as manhãs, de todos os dias, de todas as semanas, de todos os meses e de todos os anos.

Temos os telefones começados pelo "560 xxx xxx " a distribuir dinheiro por todos os que acreditam na boa vontade daquele pessoal e na sorte para todos.

Temos programas de televisão e de rádio do melhor que se faz por esse mundo fora, como contributo para a elevada cultura de toda a população portuguesa.

Somos os melhores alunos da União Europeia, plenamente satisfeitos com a enorme carga fiscal que nos oferecem, assumindo que tudo não é mais que o dever de satisfazer os caprichos e as necessidades de terceiros.

Temos os combustíveis com preços próprios de pessoal de carteira recheada; temos a energia eléctrica, na maior parte produzida pela nossa água, pelo nosso vento e pelo nosso sol, com preços muito além das nossas capacidades de pagamento.

Temos tudo o que se possa desejar ou que possa contribuir para a felicidade de todos os portugueses

Temos de tudo e mais um pouco para termos um País decente.

Digam-me, então, o porquê deste País de merda…

2.3.15

O risco social

Passaram cinco meses certinhos desde o dia em que me implantaram uma prótese orgânica em substituição da válvula da artéria aorta, processo que decorreu com toda a normalidade, até que, decorridos que foram vinte e sete dias, regressei ao hospital para mostrar o que me parecia ser uma anomalia na costura efectuada na intervenção cirúrgica.

Desde esse dia, decorreram quatro meses certinhos durante os quais andei a caminho do hospital uma, duas, três vezes por semana para tratar da ferida e mudar o penso.

Foi-me dito, por diversas vezes, que o problema deveria estar relacionado com a rejeição de um fio de aço de que resultou a sua extracção, bastando cerca de quinze dias para terminar o martírio da alergia ao adesivo dos pensos.

Passados que foram cinco meses entre intervenção cirúrgica, período pós-operatório, remoção dos agrafos e tratamento das feridas, vejo-me a pensar que o sistema de saúde e o subsistema de saúde, que me protegem, ainda não me apresentaram uma única factura relacionada com a dita intervenção cirúrgica, com as análises e radiografias efectuadas, outros exames complementares e consultas e ainda todos os actos de enfermagem, processo que deverá ter custada uma pipa de massa, que eu não tinha a mínima capacidade de suportar.

Será que isto faz parte do "estado social"?

Será que anda alguém a pensar que tudo isto não tem razão de ser e que pode estar em causa?

Será que tudo isto está em risco?

Será que não mereço isto?

Será que não merecemos isto?


 

Ao fim e ao cabo, agradeço pura e simplesmente o que fizeram por mim.


 


 

24.9.14

O debate

Com recurso às facilidades das gravações automáticas investi cerca de trinta e cinco minutos na audição e visualização dos dois craques candidatos a candidatos a primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas pelo partido dos chuchas.

Cheguei a uma brilhante conclusão que só a mim diz respeito e que não compromete a mais ninguém nem pretende influenciar quem quer que seja, pois isto de opiniões políticas e sobre políticos pouco diferem das discussões sobre futebol ou sobre temas religiosos e filosóficos.

Para tal serve aquele velho princípio que em democracia toda a minha gente pode ter e proferir as suas opiniões sem que estas possam ou devam constituir uma referência, qual certeza absoluta ou dogma universal…

Fiquei plenamente convencido que não tive qualquer proveito no investimento efectuado, mas também não perdi coisa alguma por não me ter dedicado a ouvir aqueles dois craques nos dois debates anteriores.

De resto nunca tive qualquer entusiasmo por este tipo de debates, dadas as circunstâncias de que se revertiam e os objectivos a que se propunham.

O meu pouco ou nulo interesse em ouvir estas discussões políticas de candidatos a qualquer coisa política e ainda por cima do mesmo partido e candidatos ao mesmo cargo ou função tinha a sua razão de ser que se justificou pelo conteúdo do debate de ontem.

Ao fim destas três jornadas de afrontamentos pessoais com um cheirinho a problemas anteriores e pessoais mal resolvidos, fiquei sem perceber e sem entender como é que estes dois craques e seus seguidores e apoiantes mais próximos aceitaram e concordaram entrar em debates organizados com esta fórmula que não lembrava nem ao e que se estava mesmo a ver o seu resultado final.

Eles lá sabem, porque eles são os entendidos nesta matéria, mas reservo-me o direito de ter uma opinião que vai no sentido de considerar inútil a realização de debates de natureza política com a estrutura apresentada.

A não ser que o pessoal das televisões tenha visto com bons olhos que os craques se entendessem num modelo organizativo que só favorecia o ataque pessoal, a bagunça e o vazio quase total do contributo para o esclarecimento e percepção dos valores defendidos pelos dois craques socialistas, mas altamente apreciado pelas audiências televisivas

Alguém terá mudado de opinião depois de ouvir estes dois candidatos a candidato a primeiro-ministro?

Por mim…