3.11.15

A demissão

Já tinham feito da senhora uma estrela em ascensão no mundo da política, de tal modo que estava em tudo o que era programa noticioso das televisões, como se não fosse possível qualquer acontecimento sem umas palavrinhas a propósito.
Agora já estão a transformá-la em ministra e o mais certo é que o venha a ser, mas não se sabe bem é quando, para lembrar um dos que já passaram...
Na verdade, estamos perante uma situação bem bizarra.
O presidente não quer e tem horror a quem quer pensar sequer numacoisa destas.
Os da direita parece já estarem por tudo, tal é o esquecimento a que se votaram nos últimos dias.
Os da esquerda continuam em discussão, mas ainda não se entenderam.
Por outro lado, as coisas tomaram um orientação tal que sair dela será uma calamidade para uns quantos e nada mais restará que votarem-se também ao esquecimento, ocupar por uns tempos os seus lugares de deputados e passar a chatear os que agora os chateiam.
Bem vistas as coisas, poucas dúvidas existem nos jornadores e nos comentalistas para a inevitabilidade de a senhora vir a ser ministra dentro de pouco tempo e se assim for haverá alguma certeza de não ser pior ministra que outros e outras que já por lá passaram.
Esta coisa do destino nem sempre bate certo: dizem que somos nós que o fazemos, mas neste caso não sei se assim será.
Para mim tanto se me dá como se me deu, pois o que vier a  acontecer já está escrito nas profecias dos comentalistas e dos jornadores.
Pela minha parte, não deixo de ser coerente com o que já escrevi aqui: o homem não dará posse a um governo das esquerdas, mesmo que seja essa a única solução razoável perante as circunstâncias  de um pseudo governo que foi empossado há uns poucos dias e que ainda não se dignou dizer aos portugueses umas palavrinhas de consolo, de gratidão e de votos de paz e tranquilidade para os próximos tempos, a não ser o que se ouviu por parte daquele ministro que avalizou a idoneidade do maior banqueiro desta terra, a propósito das desgraças climatéricas algarvias...
A senhora pode ir a ministra, mas a sua nomeação e respetiva tomada de posse só poderá ser o último acto oficial do presidente.
Na hora seguinte só terá um caminho: a sua demissão e ir gozar as reformas...


31.10.15

Foi tradição

Num incerto dia do mês de maio/agosto de todos os anos, os portugueses, crentes, ateus, agnósticos e os sem quaisquer opções, beneficiavam de um feriado, institucionalizado há muitos anos, para celebrar uma festividade da igreja católica romana. Contudo, os passos e os portas, entendendo que se tratava de uma celebração discriminatória, tiveram por bem riscá-la do calendário mandando para as urtigas a tradição.
No dia cinco de outubro de todos os anos, os portugueses, fascistas, comunistas, progressistas, reacionários, socialistas, esquerdistas, centristas e direitistas, monárquicos e republicanos, beneficiavam de um dia de descanso oficial para utilizar, cada um à sua maneira, o dia da implantação da república e lembrar que um parvalhão qualquer pode mandar para o outro lado da vida um rei e um príncipe, sem que se tenha tempo para descer da carroça. Contudo, os passos e os portas retiraram do calendário o feriado, que já durava há uma porrada de anos e anular a tradição, que não era tradição porque ofendia muitos portugueses que sentiam saudades da monarquia e não se reviam na república, com toda a razão, diga-se a propósito.
No dia um de novembro de todos os anos, os portugueses utilizavam o dia para festejar todos os santos independentemente da crença religiosa e aproveitavam o dia para homenagear com um ramo de flores, mesmo de plástico, as campas dos seus antepassados, já partidos desta vida miserável. Mas os passos e os portas entenderam que santos eram aqueles que com eles concordavam e os mortos, porque já estão mortos, não careciam de flores todos os anos e daí fizeram mais uma cruz no calendário, para demonstrar que a tradição é quando lhes dá jeito e quando eles querem.
No dia um de dezembro de todos os anos, os portugueses, principalmente os patriotas, dispunham de um dia para lembrar e relembrar que esta terra, quando é preciso, tem tudo no sítio e não serve de desculpa o poder dos filipes, dos andeiros e de quaisquer outros, quando o povo quer e exige, mesmo à custa de facadas e de espadeiradas. Mas os passos e os portas vieram lembrar também que a glorificação dos nossos gloriosos pode ter um efeito pernicioso com uma eventual rejeição dos actuais mandatários dos mandões estrangeiros, o que não seria bom para a saúde das finanças públicas, pelo que seria razoável retirar do calendário esta duvidosa tradição, em eventual violação do tratado de lisboa e do tratado orçamental.
Sempre se disse que "não há regra sem exceção" e que a lei foi feita para ser desrespeitada.
Um dia qualquer a tradição pode deixar de ser tradição, desde que... haja alguém que a quebre.
Sempre aconteceu e sempre acontecerá...

Era a tradição

A partir do dia cinco de outubro do ano da graça de dois mil e quinze a tradição tomou conta do imaginário dos políticos portugueses.
Até então era raro chamar a tradição para justificar ou fundamentar comportamentos, acontecimentos, posições e decisões de pessoas e até de instituições.
Não era tradição chamar a tradição para a política quando os decisores políticos tomavam esta ou aquela posição sobre um determinado acontecimento ou situação.
Ninguém se lembrou, até àquele fatídico dia, de apresentar a tradição como processo justificador de termos um país atrasado e miserável.
Ninguém se lembrou, até àquele fatídico dia, de apresentar a tradição como causa e razão suficiente de uma vida inteira a mendigar uma côdea de pão para enganar o estômago e matar a fome...
Ninguém se lembrou, até àquele fatídico dia, para utilizar a tradição para absolver as matanças e os holocaustos que sacrificaram milhões de pessoas em todo o mundo.
Mas agora parece que a tradição já tem pés para justificar e fundamentar um movimento contra o progresso, contra a mudança, contra a alteração, contra tudo o que possa influenciar o desenvolvimento político, social, económico e cultural de um povo.
Parece que a tradição não pode  contrariar os movimentos sociais que possam surgir das desigualdades das pessoas, quer se fale da pobreza, da riqueza, da miséria ou da felicidade.
Também parece que a tradição não pode admitir que aconteça agora, porque nunca antes aconteceu, pelo que não pode acontecer mesmo que seja inevitável acontecer.
Na prática, estamos a reduzir a tradição a uma arma de arremesso contra a mudança natural que acompanha o tempo como medida do movimento.
Estaríamos ainda na idade do paraíso do éden se a tradição não admitisse que a mudança e a transformação dos usos e dos costumes fazem parte da formação da personalidade humana.
A propósito de uma situação política que não tinha acontecido nos últimos quarenta anos, mas que aconteceu agora, pretende-se chamar a tradição como argumento contra uma eventual alteração do processo político da nomeação de um governo.
Não sei se é mais triste o argumento e os "argumentantes".
Mas sei que a resistência à mudança é uma das variáveis mais perniciosa para o desenvolvimento de uma sociedade.

23.10.15

A primeira

Endoidou.
Pifou. 
Escafedeu-se
O mole virou duro.
A múmia paralítica bateu com a cabeça naparece e voltou pó.
Aquela cabeça pensadora queimou os fusíveis e derreteu os neurónios.

Não quero; não quero; não quero!
Não aceito; não aceito; não aceito! 
Eu sou eu e as circunstâncias que se amolem!
Quem nunca foi por mim, não terá nada de mim.
Quem sempre me ofendeu, não terá o meu beneplácito.
Quem passou a vida a chatear-me o juízo (será que tenho?) não conta comigo.
Não querem lá ver que agora pretendiam produzir cereais quando o mercado está a abarrotar de trigo?
Não querem lá ver que agora não queriam aceitar as ofertas de capital, porque temos os cofres cheios dele?
Não querem lá ver que pretendem arranjar com os outros o que não conseguem por eles próprios?
Não querem lá ver que esta cambada estava às espera de contemplações para coisas tão sérias que exigem a máxima honestidade que não demonstram ter?
Não querem lá ver que por estarmos nos últimos segundos da última parte de toda a duração do jogo, deixava de mostrar o cartão vermelho e não marcar penalti?
Nem pensar!
Porque quem assim pensava não pensava que eu pensava deixar de pensar o que sempre pensei?
Essa treta da mudança, do desenvolvimento e do progresso não se faz à custa de amandar e atirar para as urtigas o modo como sempre se fizeram as coisas aqui por estas bandas.
É certo que precisamos de progresso, necessitamos de desenvolvimento, mas isto não pode ser feito à custa da mudança e alteração dos bons costumes, aos quais devemos a nossa história e a nossa cultura.
Essa coisa de termos que secar a fonte para sermos iguais ao primeiro rei foi chão que já deu uva e nada pode  alterar o que a tradição decreta sob pena de cairmos na mais profunda calamidade que pode levar à nossa destruição.
Eu tenho o poder  de dar os passos necessários para abrir as portas aos que me prestam a devida vassalagem e não permitir o livre acesso a quem tudo tem feito para não o merecer.
Eu quero!
Eu posso!
Tomem lá, e que se aviem!
Quem quiser e quem puder, que o faça como eu o fiz!!!
A primeira já está!!!


20.10.15

O buraco

- Meu filho, conta-me lá as diligências efectuadas para encontrares uma solução estável e duradoura.
- Desculpa, papá, mas a coisa não tem corrido tão bem como eu desejava.
- Não? Diz-me, quais foram as dificuldades?
- Olha, papá, parece que subiu à cabeça daqueles maltrapilhas uma grande vontade de serem importantes.
- Não me digas? Então os craques querem mandar nesta coisa toda ou estão a fazer-se caros?
- Muito mais que caros. Ofereci umas migalhas, mas eles querem uma quantidade de coisas que eu nem ouvi porque não as entendi em condições.
- Diz-me lá uma coisa, meu filho: estiveste a fazer de esquisito nas ofertas ou foste perdulário? Olha que com esta gente temos que ter o chicote sempre preparado, de tal modo que se estás disposto a dar uma coisa tens que receber pelo menos duas em troca.
- Pois, eu também pensei assim. Mos os sacripantas não cedem um milímetro ao metro que  eu tenho e que não quero perder.
- Oh, meu filho, toma nota que perdeste uma quantidade de coisas e não podes, sem mais nem menos,  querer que o pessoal se esqueça que não comeste os espinafres suficientes.
- De acordo, mas eu tentei atirar o barro à parede, mas o barro não ficou colado, o que me perturbou bastante e tem dificultado a solução final.
- Tem dificultado a solução final? Não entendo isso e nem sequer percebo qual é a tua dificuldade em encontrares a solução final, se ela está mesmo à frente dos teus olhos.
- Pois. Eu também pensei isso, mas aquela história da escrita e da folha de cálculo pode não ser do agrado daquela cambada, o que pode levar os tipos a não aceitarem a minha proposta.
- Na verdade, estás com um problema entre mãos, mas tudo nesta vida tem solução, como muita gente diz. Pode é não ser totalmente satisfatória como se exigia à primeira.
-Tem calma, meu filho, que tudo se há-de arranjar, nem que seja por uns tempos. O que importa é que saibas resistir com toda a veemência e não te deixes abalar por uns contratempos de meia tigela. Olha bem para o que me sucedeu a mim.
- Tem razão, mas os tempos são outros. Agora temos apenas umas moeditas, quando naquele tempo abundavam as notas que se viam e sentiam por todo o lado...
- Não sejas incrédulo. Um dia destes já não terás problemas. Deixa o tempo passar, pois mais depressa do que esperas terás o pássaro na mão.
- Espero bem que sim.
- Só tens que me prometer uma coisa: evita a todo o custo demissões irrevogáveis... porque eu já não terei oportunidade de apanhar o golpe e tapar o buraco....

18.10.15

O eixo

Uma das coisas que mais gosto na televisão é ter a possibilidade de a qualquer momento fazer uma viagem por todos os canais desde o primeiro até ao último e voltar ao que menos me chatear.
Isto não é fácil de dizer e até de fazer, mas de vez em quando lá passo uns minutos a ver e ouvir aqueles comentários de muitos comentadores que cada vez mais me ensinam a gostar menos de comentários e de comentadores, sempre desejosos de se ouvirem a eles próprios.
Outro dia, a propósito da actual tragicocómica situação da política portuguesa, tive a oportunidade de dar uma vista de olhos a uns comentários escritos referentes à "clarinha" ficando com alguma curiosidade de a ver e ouvir a perorar sobre o tema.
Vai daí deparei-me com os inefáveis comentadores do denominado "eixo do mal" divagando precisamente sobre a magna questão que tanto os preocupa.
Fiquei fixado na televisão para escutar com a máxima atenção a dita senhora e ajuizar sobre os comentários lidos anteriormente de um internauta vulgar e normal. 
Quando chegou a sua vez, consegui entender que:o costa e os socialistas não sabe o que quer e o que querem, os comunistas são comunistas e sabem o que não querem e os bloquistas são marxistas, pelo que se torna impossível particiaprem  numa solução, por falta de tradição.
Durante cerca de quatro minutos não percebi se a senhora tinha opinião sobre a matéria concreta ou se apenas se tratava de mandar bitaites e cumprir a sua obrigação de comentadora para justificar o pagamento a efectuar a devido tempo, bem merecido, diga-se de passagem.
Quando falavam os quatro ao mesmo tempo sem que ninguém os entendesse nem sequer o moderador, ainda ouvi a "clarinha" a afirmar que "... eu só quero uma boa solução".
Fiquei estupefacto pela afirmação e nunca pensei que fosse possível haver naquela cabeça pensadora uma hipótese diferente para além de uma boa solução para Portugal dos portugueses.
Passado algum tempo, pois estive cravado nos comentários cerca de quarenta minutos, terei percebido que a boa solução era apenas uma intenção e uma boa vontade da senhora que não foi capaz ou não quis dizer o que seria para ela uma boa solução.
Não tive razões para duvidar da correcção dos comentários escritos de um leitor de jornais, mas valeu a pena perder aqueles minutos todos para ter uma ideia do valor daquela comentadora, mas principalmente porque o moderador apresentou um vídeo final que me fez lembrar o que poderia ou deveria ser um verdadeiro presidente da república, digno dos portugueses.

17.10.15

Por favor

Ando a ficar com dores de cabeça porque nos últimos dias tenho-me deixado invadir pela curiosidade de ouvir alguns debates e entrevistas políticas nos diversos canais de televisão.
Não consigo entender lá muito bem como é possível os canais de televisão dedicarem tanto tempo, quando dizem que não têm tempo para nada, a colocar frente a frente, à esquerda e à direita uns quantos senhores, cujo pensamento político já se conhece perfeitamente.
Até parece que esta gente está mesmo convencida que é possível alterar o pensamento, as convicções, as certezas e, já agora, as tradições pessoas, porque num acto eleitoral não houve uma maioria absoluta de um só partido.
Até parece que é possível convencer quem tem certezas absolutas da sua verdade e alterar de um momento para outro aquilo que sempre o sustentou durante anos e anos e anos.
Dá a impressão que anda tudo louco, porque tentam de todas as maneiras encontrar respostas de acordo com as suas convicções profundas ou de acordo com os seus interesses materiais, financeiros, estruturais, sociais e profissionais, interesses que são o seu sustento com dificuldade mínima.
Toda a gente anda a basear a discussão e suposições e raciocínios n condicioonal: se isto for assim, então aquilo será assado...
O que mais me espanta são perguntas idiotas dos jornalistas alicerçadas na condição quando pretendem que a resposta seja uma afirmação no presente do indicativo.
O que me leva a concluir que aos jornalistas não interessa muito a resposta, pois o que interessa é a pergunta que não pode deixar de ser feita, mesmo que tenham a certeza que a resposta não pode ser dada.
Neste sentido tenho tendência a pensar que a finalidade desta coisa toda não é encontrar uma solução para os graves problemas que temos e que vamos continuando a ter, mas sim manter uma discussão para que os canais de televisão demonstrem ao pessoal que são essenciais para a felicidade e bem estar do pessoal, que pouco ou nada se interessa pela política.
Já agora, achei um desplante total por parte daquela personagem que declarou ter-se abstido por não sei o quê...  e a seguir aceitam convites para os bitaites do costume..
Antes valia ter feito o que fizeram uns quantos milhares de portugueses que foram votar, mas votaram nulo ou em branco; pelo menos manifestaram interesse no acto eleitoral, cumpriram o seu dever, exerceram os seus direitos e não foram convidados para estes debates.
Ten ham misericórdia de nós e não se esqueçam que temos no nosso ordenamento constitucional gente com o dever e a responsabilidade de resolver o problema do próximo governo, não sendo preciso tanto alarido.
Depois, quem quiser derrubar a casa que o faço e quem quiser manter a casa de pé que a mantenha.
Até lá, chateiem menos... por favor.
 

14.10.15

A tradição

A histeria e a propaganda assentaram arraais em jornais, em televisões, em comentaristas, em jornalistas e em quase tudo que emite opiniões.
É um ver se havias para lançar o caos, a desordem e a tragédia que ocorreriam em portugal se fosse possível um governo de esquerda.
Querem fazer crer que a gente, aqueles que pouco ou nada esperam da vida política nacional, ainda acreditamos que pode haver um governo de esquerda,mas que isso seria o fim deste país.
Mas fique todo o mundo descansado, incluíndo os mercados, porque a cabeça pensadora que reside em belém já tem tudo decidido.
Analisados que foram uma centena e meia de cenários para a formação do próximo governo de portugal, a decisão está tomada e eu sei de fonte segura qual é, uma vez que tive a possibilidade de entrar na corrente eléctrica, embora fraca, daqueles neurónios e observar ao pormenor tudo o que ia acontecer.
Vai ser assim:
O acordo entre o passos, o portas e o costa já foi, pelo que não vai haver.
O acordo entre o costa e o sousa e a catarina é possível, mas já foi.
O presidente vai ouvir os partidos, nos termos constitucionais
O presidente vai indigitar o passos como primeiro ministro para formar governo.
O passos vai formar governo.
O presidente vai empossar o governo.
O governo vai submeter aos deputados o programa.
O programa vai passar, porque o costa não vai votar contra.
O governo vai submeter o orçamento à apreciação dos deputados.
O costa não vai votar contra, pelo que o orçamento é aprovado.
Depois de tudo isto, o governo quer governar e está metido numa camisa de onze varas e vai surgir de novo e em força a tal força de bloqueio.
Entretanto, teremos um novo presidente, que se for o tal, fará um comentário a todos os partidos e vai convocar novas eleições lá para o fim do ano de dois mil e dezasseis, princípios de dois mil e dezassete.
Não consigo ver mais além.
PS: O Oliveira, aquele moço das motas, nunca deveria ter ganho o tal grande prémio, porque nunca houve anteriormente um português a ganhar um grande prémio de motociclismo, indo contra a tradição...
A mudança, o progresso e o desenvolvimento não se fazem contra a tradição?

10.10.15

A solução

Até às vinte horas e dez minutos do dia quatro de outubro do ano da graça de dois mil e quinze, os males do mundo tinham a razão e o seu fundamento nos socialistas.
Não havia coisa alguma que tivesse sido bem feita e em benefício de portugal e dos portugueses, a não ser de uns quantos amigos também socialistas.
Deram cabo de tudo, incluindo o do próprio estado.
Deixaram tudo na miséria e não fora o resgate já não teríamos existência legal...
Os socialistas eram muito piores que o diabo: este ainda tinha o inferno e dispunha dele como lhe dava na diabólica gana, mas os socialistas já tinham penhorado tudo e a dívida já estava perto dos noventa e cinco porcento da riqueza produzida. Até foram responsáveis pela subida da dívida para lá dos cento e trinta por cento do pib, sem falar dos milhares de desempregados, dos milhares de emigrantes, de todas as empresas encerradas e até dos chumbos dos alunos que não estudam a tempo e a horas de fazerem os seus exames.
Mas depois das vinte horas e quinze minutos desse mesmol dia e apesar de continuarem responsáveis por tudo o que de mau aconteceu a esta terra nos últimos cinquenta anos, deixaram de ter sarna e rapidamente se acabou o discurso da a sua culpabilização.
Foi um milagre, pois bastou que os bons perdessem a maioria absoluta que lhe dava toda a autoridade para fazerem tudo o que tivessem em mente e precisassem agora da boa vontade dos maus para continuarem na sua caminhada ao serviço do poder.
De repente o discurso mudou e apareceu a palavra "humildade", coisa que tinha desaparecido do léxico dos bons. 
Havia que pensar nalguma coisa para evitar males maiores, porque esta cambada dos socialistas podiam não se dar por derrotados e vencidos e atreverem-se a encontrar outras vias que podiam levar a mandar os bons para as urtigas, face ao acontecido nos últimos quatro anos.
Vai daí que deixou de se ouvir discursos contra os socialistas e passou-se a saber que o diabo pode tecê-las, apesar do são jorge continuar de espada em riste.
Cuidado, portugueses, porque pode estar a ser congeminada uma solução governativa  ainda mais gravosa que a pretendida pelos maus da bancarrota: pode estar aí mesmo escondida atrás da porta uma solução governativa comandada pelos socialistas com a participação dos comunistas, dos verdistas e dos bloquistas e de mais alguns esquerdistas, o que seria uma verdadeira revolução nascida a partir de um golpe de estado constitucional, mas contra a natureza da política portuguesa.
Portugueses, apesar dos socialistas serem agora menos maus, não deixaram de ser maus pelo facto de termos perdida a maioria absoluta e ser indispensável a sua boa vontade para governar mais quatro anos e continuar o nosso projecto de tornar os portugueses o povo mais pobre de toda a europa e arredores ao serviço da mão-de-obra barata para servir melhor os senhores do mundo.
A traição está aí...
  

5.10.15

A vitória

A coligação ganhou, mas perdeu.
Os socialistas perderam, mas ganharam.
Os bloquistas ganharam.
Os cdu ganharam.
Os animais ganharam.
As declarações de vitória foram as do costume.
Houve uma declaração de derrota.
O surpreendente da noite foi a festa do livre, que avanções rapidamente para os foguetes, mas os animais protestaram e lá receberam de braços abertos o deputado disputado.
Os eleitores disseram ao marinho que se fique pela europa e que por lá faça muito barulho, porque por aqui não tem lugar.
O partido mais votado foi o da abstenção, que subiu relativamente a eleições anteriores, apesar de todas as sondagens dizerem o contrário e quase todos os comentadores, jornalistas e políticos continuarem a a afirmar que os abstencionistas tinham diminuído, quando os números oficiais já diziam que tinham aumentado.
A realidade tem destas  coisas: quem perdeu cerca de oitocentos mil votos sai vencedor das eleições e quem ganha cerca de duzentos e cinquenta mil perde as eleições.
Hoje mesmo a campanha já começou: é dever nacional dos socialistas, que perderam, viabilizar o governo dos que ganharam.
É assim mesmo e tomem lá.
Surpreendidos? Vão deixar de estar muito rapidamente e o meu cartão de eleitor não ficou arrumado...
Mas não deixo de me interrogar que é feito dos quase dois milhões de pessoas na pobreza, de cerca de novos tresentos mil desempregados, dos milhões de pensionistas com a pensão mínima, dos milhares de beneficiários do rendimento social de inserção, dos trabalhadores com o salário mínimo e todos aqueles a recibos verdes e de todos aqueles sem qualquer tipo de proteção social???
Onde está seu voto ou para onde foi o seu voto?

2.10.15

A República

Está bem de ver: o homem sempre viveu à pala da República.
Quando foi estudante nem propinas pagou;
Quando foi professor ali estava a república;
Quando esteve no banco de portugal era a república;
Quando foi secretário de estado vivia da república;
Quando foi ministro alimentava-se da república;
Quando deputado lá tinha a segurança da república;
Quando foi primeiro ministro a república cuidava dele;
Enquanto presidente da república, a república nunca o deixou ficar mal.
Agora a República merecia um pequeno carinho como fosse a sua presença no dia da República.
Ontem o homem, lá do alto do seu orgulho idiota, declarava alto e a bom som que já sabia muito bem o que ia fazer com os resultados eleitorais, mesmo antes de os conhecer.
Hoje, o mesmo homem diz que precisa de reflectir sobre as suas gravíssimas decisões a tomar logo após conhecer os resultados eleitorais.
Isto acontece precisamente no dia da República pelo que o Presidente da República não pode estar presente nas comemorações da República.
É confuso?
É estranho?
É aceitável?
Para o vulgar republicano seria natural que o Presidente da República estivesse presente nas comemorações do Dia da República, mas o Presidente da República assim não o entende, adiantando para o efeito uma justificação idiota e inconsequente, tendo em conta declarações fresquinhas prestadas lá nos estates e totalmente injustificáveis tendo conta o significado das funções que exerce.
Com este homem a lógica é uma batata e a república não passa de uma fava.
Até nisto somos uns pobres de espírito, tendo o presidente que temos.
O que nos vale é que é por pouco tempo mais...
No fim de contas, o homem não se digna desonrar a República com a sua presença, mas poderia ter mandado dizer que estava com caganeira, que lhe doíam os poucos neurónios activos, que não queria incomodar, pelo que...
A gente entendia...

29.9.15

A dívida

Lá no ano de dois mil e dez a dívida pública representava qualquer coisa como noventa e três por cento do produto interno bruto.
Agora no ano de dois mil e quinze a dívida pública está a bater os cento e trinta e três por cento do produto interno bruto.
No ano de dois mil e onze a dívida pública era qualquer coisa como a ninharia de cento e oitenta e quatro mil milhões de euros.
Agora no ano de dois mil e quinze está nos duzentos e noventa mil milhões de euros.
A diferença entre o ano de dois mil e onze e dois mil e quinze, período de quatro anos, a coisa aumentou em cento e quatro mil milhões de euros.
Neste curto período de tempo "doamos" todas as empresas ou partes de empresas de sectores estratégicos e quase estratégicos de actividade que entregavam ao estado uns quantos milhões de lucros ou impostos por ano, como a cimpor, a ren, a ana, a edp, a galp, os ctt, os seguros e ainda qualquer coisinha que não vem ao caso.
Neste curto período de tempo emigram cerca de quatrocentos mil portugueses, muitos deles com formação académica de nível superior.
Neste curto período de tempo foram à vida milhares de empresas que produziram cerca de trezentos mil desempregados.
Neste curto período de tempo houve um "enorme" aumento de impostos para a classe média.
Neste curto período de tempo o trabalho perdeu valor.
Neste curto período de tempo as pensões e as reformas foram vilipendiadas.
Neste curto período de tempo houve tempo para atirar para as urtigas o serviço nacional de saúde, ouve tempo salvar os seguros e os serviços privados de saúde, houve tempo para quebrar a espinha aos professores e colocar o ensino público ao seu nível mais baixo de sempre, houve tempo uma desmesurada e irracional guerra contra os trabalhadores das administrações públicas, houve tempo para uma enorme quantidade de desvarios só minimizados pela acção do tribunal constitucional.
Neste curto período de tempo até houve tempo para a manipulação, para a mentira, para a aldrabice, para o roubo, para o esbulho e para umas quantas patifarias, de tal modo e de tal qualidade que as vítimas já começam a ver e a agradecer o  processo da sua salvação.
As coisas são como são, como se costuma dizer ou como nos querem fazer crer que são.
Na verdade, em dois mil e onze, era a bancarrota nacional e nem havia dinheiro para pagar as dívidas dos hospitais.
Mas hoje, no dealbar de dois mil e quinze, temos os cofres  cheios...
Mas dedos e anéis?
Os mentirosos e os aldrabões não merecem governar.

18.9.15

A informação

Já disse aqui várias vezes que não compro jornais há uns bons anos e o que leio não além de uma vista de olhos pelos títulos na papelaria e às vezes, muitas poucas, nas bancas e expositores.
Mas não deixo de folhear as poucas páginas do jornal diário gratuito que aparece nos mais diversos locais, nomeadamente no centro comercial que frequento com regularidade, dada a proximidade da minha residência.
Hoje, fiquei altamente surpreendido por um título garrafal, para a dimensão do jornal, dando conta que "um milhão quer carro novo em 2016", mas logo, com letras mais pequenas, esclareceu que quase três quartos dos que tencionavam comprar automóvel em 2016 vão optar por um usado e a gasóleo...
Fui assaltado por um monte de dúvidas, pois se um milhão quer carro novo e se três quartos tenciona comprar carro usado e a gasóleo, estamos a falar de quantos portugueses, que a minha cabeça não dá para tantos cálculos?
Foi ver o corpo da notícia e o que lá encontrei não permite tirar qualquer conclusão como as da primeira página. São pequeninos, mas já a sabem toda.
Este jornal não se ficou por aqui e ofereceu aos seus leitores um comentário do rio sobre a comunicação social, dizendo que "tem uma enorme responsabilidade na degradação do regime democrático português, devido a problemas sérios de credibilidade e fraco sentido de estado"..." a prioridade da comunicação social é tudo menos social, tendo como preocupação o que dá lucro".
Tenha pena do homem, porque penso que ele estava convencido que bastava um sinal numa conversa ligeira a beber um cimbalino com uns quantos amigos e os jornais e as televisões decidiam por unanimidade que estava ali o próximo presidente da república. Enganou-se e está a fazer-se de inocente ou está a desancar nos que já elegeram o seu presidente através dos seus comentários altamente identificadores das suas opiniões? 
Por último fiquei muito contente por este jornal referir que uma empresa britânica vai comprar uma empresa portuguesa de tecnologia militar com um investimento de 19 milhões de euros, mas pelas percentagens apresentadas fiquei sem saber se a maioria do capital era do estado português ou se era de duas empresas privadas. O que mais me admirou foi o sir afirmar que a empresa "...não exige muito capital pois é sobretudo conduzida pelo talento dos trabalhadores".
Valeu a pena pegar num jornal gratuito de circulação diária para ficar com alguma informação, mesmo que se sinta que essa informação está longe de ser completa e entendida por todos.
Nada como a sensacional sondagem divulgada pelo nosso querido canal público, da responsabilidade da universidade católica.
Querem informação completa, competente e independente?
No canal público, com certeza...

17.9.15

A verborreia

Não há bem que sempre dure, nem mal que se não acabe.
Não há mal que sempre dure, nem bem que se  não acabe.
Qual está certo ou qual está menos errado?
Certamente que tudo será à vontade do freguês.
Por mim, estou convencido que dentro de quinze dias vai acabar esta verborreia eleitoral, depois de muita gente já está a dar em doida, dada a magnitude do ruído, que ofende os ouvidos do mais resistente.
Nos últimos quinze têm sido "um ver se te havias" para ver quem mais aparece nas televisões, quem mais fala nas rádios, quem mais mentiras lança aos quatro ventos, quem mais inverdades diz, quem mais promessas está a fazer para depois das eleições.
Ninguém parece pensar que já há muita gente a ficar cansada de tanta propaganda eleitoral, de tantas soluções para tantos problemas, tantos problemas para tão poucas soluções...
Ninguém parece pensar que há fortes possibilidades de muita gente fazer frente a este frenesim propagandístico com a sua retirada de campo e refugiar-se em qualquer lugar e em qualquer ocupação, desde que esteja longe deste maldito ruído que nos atinge a qualquer hora do dia e da noite.
E isto ainda está nos preliminares, sendo lícito pensar que como se diz " a procissão ainda vai no adro" e tem de percorrer todas as ruas da aldeia, para que todos e todos mesmo fiquemos bem informados sobre a política dos dezoito partidos que vão concorrer às próximas eleições legislativas.
É bem de ver que os órgãos de informação ou, se quiserem, os órgãos de manipulação e controlo das massas estarão sempre dispostos a dar a voz aos senhores que tudo querem e que tudo fazem, sem olhar aos verdadeiros interesses dos interessados nesta coisa toda.
Bem vistas coisas e tivermos presente o tempo, o espaço e som o grande e quase único problema desta terra resume-se a um contrato ou a um acordo para encontrar seiscentos milhões.
Tudo o resto não passa de coisas do arco da velha, coisas de somenos importância, coisas que só interessam aos pobres, coisas desprezíveis por inúteis e sem qualquer razão e fundamento para serem citadas e discutidas com o mínimo interesse.
Encontrem os seiscentos milhões e tudo o resto virá por acréscimo e até os lesados, os oprimidos e os espoliados terão os seus problemas resolvidos, mesmo que seja na outra vida.
Não percebo lá muito bem as razões que temos para criticar os nossos estimados políticos que se dedicam de alma e coração a resolver os nossos mesquinhos problemas, como o preço da energia, o preço do leite e da carne e da água e o iva e o irs e todas as taxas que abundam em todas as facturas, quando os políticos europeus não são capazes de dar uma pequeníssima explicação do fenómeno dos migrantes/refugiados e demoram uma infinidade de tempo para decidirem o que quer que seja como seja uma eventual limitação do problema, porque a sua solução só lá para as calendas gregas, quando o grego for a única língua falada na europa e arredores...

15.9.15

A falha

Quando existem várias hipóteses de trabalho, nem sempre se escolhe a mais fácil ou a mais útil.
É o caso de escrever mensagens para o blog, podendo utilizar-se a escrita directa, fazer recurso ao correio electrónico ou recorrer ao word e daí publicar tudo e mais alguma coisa.
Mas todas as hipóteses de trabalho têm as suas vantagens e os seus inconvenientes.
Não gosto de redigir directamente no blog utilizando o tratamento de texto oferecido, pois as opções de correcção ortográfica não me satisfazem.
Por outro lado, o envio de mensagens para o blog a partir do correio electrónico debate-se com a pobreza do tratamento de texto onde o corrector ortográfico praticamente não existe.
Até há não sei quanto tempo, utilizava sistematicamente o word, pois dispõe de todo o tipo de formatações do texto e fazia recurso ao corretor ortográfico português português, dando a tranquilidade suficiente para escrever à vontade sem que os erros constituíssem um problema.
Mas, a informática tem destas coisas: não sei por que carga de água estou impossibilitado de partilhar uma mensagem escrita no word com a sua publicação no blog, recebendo a informação que o fornecedor não responde.
Assim, fico a ver navios e a olhar para o ecran do portátil para ver se me vem alguma outra informação que me leve a resolver este problema.
Será que as novas versões do office estão a retirar funcionalidades à aplicação?
Que os últimos sistemas operativos da janelinha tornam impossível esta solução?
Não deixa de ser estranho, pois está lá a opção de partilhar um texto no blog, solicitando tudo o que é preciso para o efeito. Só que, no fim, muito amavelmente diz que não pode ser nada.
Os meus quase nulos conhecimentos destas matérias informáticas, apenas o suficiente para escrever com alguma regularidade, não têm sido bastantes para utilizar o processo de que mais gostava: escrever no word, gravar um ficheiro, partilhar este ficheiro e publicá-lo no blog.
O que falha?
Se andar por aí alguém que entenda destas coisas, não deixe de dar as respectivas.
Agradecia mesmo. 
PS: Parece que foi suspensa ou adiada a venda no novo banco, o que me leva a pensar que os chineses já fizeram o que tinham a fazer e a mais não são obrigados, a não ser que seja com um desconto bem maior do que os anteriores...
Isto não é minha preocupação, porque os contribuintes não vão pagar coisa nenhuma...

 
 

12.9.15

A condição

Não gosto de utilizar, com demasiada frequência, o condicional de qualquer verbo, pois entendo que a construção da realidade faz-se com a acção concreta e não com supostas coisas que eu faço acontecer a meu contento.
Mas, de vez em quando, o condicional pode ser usado para dar ênfase ou significado a uma coisa que não reflecte o valor ou a importância que alguém, em determinada circunstância, lhe quer dar.
É o caso dos debates televisivos para a decisão fnal dos eleitores no momento de colocar no boletim de voto a tal cruzinha que todos conhecem.
Vamos sabendo que a indecisisão da votação não está reflectida nos resultados das sondagens que os jornais, as rádios e as televisões nos dão a conhecer.
Sabemos todos que quando somos ouvidos para uma sondagem de opinião, principalmente quando se trata de dizer e informar das nossas preferências sobre determinado assunto do foro pessoal, somos levados a dar uma resposta tão retorcida quanto possível, porque não sabemos bem a verdadeira utilização que se pode fazer do que dizemos de boa fé.
A verdade é que a grande maioria dos inquiridos já decidiu o seu voto e não está à espera de ouvir e ver estes debates que os meios de informação nos oferecem para formular o sentido do seu voto.
Assim sendo e salvo outra opinião, tenho-me perguntado para que servem todos estes debates, alguns dos quis com audiência pouco diferentes das presenças num jogo de futebol, realizado para os lados da luz...
Estou convencido que a resposta para esta questão só será bem entendida se se considerar que o bjectivo final não são os eleitores, mas para os jornalistas que vivem da criação e da colocação do  condiicional em tudo o que é importante.
Se for eleito...

8.9.15

O menu diário

Nunca aquela rua foi tão falada, tão badalada e tão visitada e tão percorrida como agora.
É assim que se deveria conhecer uma qualquer rua da cidade de lisboa e não por lá estar a residir um ilustre político preso, à espera do que lhe venha a acontecer quando os tribunais deliberarem em conformidade.
São jornalistas, são políticos, são curiosos, são amigos que ali se deslocam para um determinado objectivo: uns para alimentarem os jornais, recolher conteúdos para os telejornais, umas declarações para as rádios, mesmo que tudo seja a repetiçao do que aconteceu por diversas vezes junto à prisão de évora relativamente ao mesmo preso, como se lá não houvera outros também importantes como este.
Que interessa a real e verdadeira situação das finanças públicas, das empresas públicas, do crescimento económico, do desemprego, da segurança social, dos migrantes e refugiados das terras africanas, programas eleitorais dos partidos concorrentes ao acto eleitoral de quatro de outubro?
Que interessa se o ano escolar vai abrir a tempo ou se vai abrir com atraso, que interessa se os professores estão todos colocados, que interessa se os doentes estão na fila nos hospitais e nos centros de saúde, que interessa se os impostos são os mais elevados da europa, que interessa se a dívida pública continua a aumentar na proporção do enchimento dos cofres do estado, que interessa a vida dos portugueses quer seja boa quer seja má, consoante a carteira e a fé de cada um???
Nada disto interessa face ao corropio e à peregrinação diária e horária ali para os lados da alameda do rei culpado disto tudo.
Enquanto o homem ali estiver vão descobrir-se uma quantidade de coisas completamente sinistras da vida do senhor, mesmo as relacionadas com a construção do seu actual poiso cedido de modo que ainda não sabemos, mas brevemente até nos vão dizer a renda a pagar, a quem vai pagar, onde vai pagar, com que dinheiro vai pagar, etc e tal.
Para sabermos tudo isto vai ser necessário bem mais que um drone, pois a coisa merece uma verdadeira investigação, envolvendo os melhores jornalistas da nossa praça, munidos de gravador, microfone e caneta e máquina fotográfica para o que der e vier.
Sejamos pacientes, porque dentro de pouco tempo teremos à nossa disposição toda a informação recolhida pela investigação pública e privada, isto é, toda a informação constante do processo a decorrer onde for e toda a informação recolhida pelos nossos jornalistas que não querem privar o povo da fruição dos seus direitos.
A candidatura do marcelo e do rui à presidência da república vai ter que esperar, pois agora as nossas preocupações são outras.
Há uma coisa importante que deveria merecer a atenção dos investigadores da treta: o menu diário a servir ao preso... 

6.9.15

Os migrantes

Pelo andar da carruagem, um dia destes não haverá migrantes/refugiados para ocupar as casas disponibilizadas, haverá dinheiro aos montes e teremos o guterres todo satisfeito porque finalmente foram colocados à sua disposição todos os meios financeiros de precise e sobrantes das ofertas dos europeus.
Até parece que há bem poucos meses não havia migrantes/refugiados a morrerem afogados no mediterrâneo, não havia migrantes a fugirem de áfrica subsariana e dos países do médio oriente, não havia preocupações por parte da grécia e da itália e um pouco da espanha por causa dos milhares e milhares de migrantes que arribavam às suas costas marítimas nas condições mais miseráveis e mais deploráveis muito para além da dignidade humana.
Até parece que os europeus do centro e do norte só se deram conta dos problemas dos gregos, dos italianos e um pouco dos espanhóis quando uns quantos milhares de migrantes/refugiados chegaram às fronteiras alemãs e franceses e às portas do euro túnel para os respectivos governos constatarem que tinham um problema entre mãos.
Até há bem pouco tempo as consciências alemãs, francesas e inglesas viviam impávidas e serenas a contemplar os dramas dos migrantes que atravessavam o mediterrâneo em condições físicas, éticas e morais inconcebíveis e nada mais faziam que incentivar os gregos e os italianos a tratarem do assunto, lavando as respectivas mãos de todos os males e consequências  desta invasão inesperada.
Só agora, muito recentemente, é que a maioria dos governos europeus ouviu os sinos a tocarem a rebate, porque estavam a entrar pelas suas fronteiras milhares de migrantes/refugiados a fugirem da guerra, dos crimes, da escravatura e da morte, impostas e comandadas pelos ditadores, pelos caciques e cabos de guerra, alimentados com armas, munições e demais equipamento bélico fornecido pelos países europeus, que agora resolveram preocupar-se com o assunto.
Vão disponibilizar-se milhares de habitações para os migrantes/refugiados atribuídos legalmente a cada país e vão distribuir milhões de dólares e de euros para assistir com alguma dignidade toda esta gente que foge das suas terras, sem condições para lhes garantir um pouco de paz e de tranquilidade e das mínimas condições de vida.
Os efeitos das consciências pesadas estão a dar origem a acções que já deveriam ter sido postas em prática  logo que começaram a morrer migrantes nas águas do mar mediterrâneo.
Ainda não é tarde, mas foi preciso muitas mortes para que os poderosos se dessem conta que era preciso fazer alguma coisa para minimizar os dramas e as tragédias dos migrantes/refugiados subsarianos e do médio oriente.
Nada mais justo: os lucros da venda de armas servem agora para aliviar a fome e a sede a milhares de pessoas que demandam as nossas terras. 

5.9.15

Pharol

Estou a imaginar o corropio das redações dos diversos canais de televisão para convocar os comentadores habituais e mais alguns para se pronunciarem pela enésima vez sobre a saída da prisão do engenheiro ex-primeiro e a respectiva na "sua" residência com polícia à porta.
A coisa estava a ficar despercebida e só de vez em quando aparecia mais uma notícia ou comentário a dizer e a desdizer a mesma coisa, fazendo com que o pessoal continuasse a lembrar-se que o ex-primeiro continuava preso a aguardar que lhe dissessem as razões concretas e objectivas para tal sitação.
Parece que, finalmente, vamos saber a acusão concreta contra o ex-primeiro para além de todas as suspeitas e tudo o resto, que os jornais, as televisões e os jornalistas atribuem ao engenheiro.
Claro que este acontecimento vem mesmo a calhar para desanuviar o ambiente que se estava a criar à volta dos refugiados, que continuam a criar gravíssimos problemas a este problema que se chama "europa".
Mas as coisas só tomnaram o seu real e verdadeiro significado quando os ditos começaram a entrar pelas portas adentro dos países que se julgavam protegidos e imunes ou longe dos acontecimentos.
Até os nossos amigos germânicos...


Tinha escrito mais vinte linhas sobre este temz, quando a rede se foi e me deixou a ver a concentração de refiguados junto ao eurotúnel...
Não repito o que tinha escrito e fico-me a tentar qualificar a elevada qualidade técnica dos serviços prestados pelo (a) "pharol"...

4.9.15

A justificação

Tenho pensado muitas vezes por que razões não escrevo mais e mais regularmente, sendo certo que sobejam motivos para que pudesse acontecer todos os dias.
E, contudo, passo dias, semanas e meses sem que apareçam escritos sobre o que vai acontecendo não só pelo mundo, pela europa e por este cantinho, que se diz ser "país", "nação" e mais algumas coisas que cada um pode pensar.
Não encontro justificação para tal procedimento.
Admito, no entanto, que não se trata de preguiça, de ausência de vontade para abrir o computador e dar-me ao trabalho de pensar um pouquinho sobre qualquer coisa que considere importante e despejar aqui a minha opinião, mesmo antes de ouvir ou ver as dos outros, mesmo que estes outros sejam ilustres comentaristas e ilustres pilíticos e até ilustres jornalistas, mesmo aqueles que que se julgam sê-lo pelo simples facto de terem a mão ocupada com um microfone.
Tampouco se trata de não ter opinião sobre a matéria ou desconhecer o problema, porque opiniões todos temos sobre tudo e conhecimento abunda, bastando para tal ver um qualquer canal generalista a qualquer hora do dia ou da noite, o dia antes ou o dia depois, e ali teremos informação sobre tudo e mais alguma coisa.
Mesmo assim, o problema continua e apesar de o desejar intensamente,  vejo-me como que forçado a deixar passar montanhas de acontecimentos sem que sobre eles me digne manifestar publicamente a minha posição.
Após uma ligeira "intervenção" junto de uns quantos neurónios desocupados, pensei ter encontrado uma pequena justificação para a minha ausência: nojo e asco sobre a política actual!!!
Pasmei-me pelo sucedido e nem quis acreditar que tinha descoberto o que pensam milhares e milhares de portugueses sobre a política e sobre os políticos.
Entendi que a razão fundamental do que me estava acontecendo não tinha grandes justificações, uma vez que nojo e asco da política e dos políticos era coisa que acontecia por todos os lados e pelo universo circundante, pelo que a sua especificidade não tinha nada de especial: era natural e comum que assim fosse.
Concluí que a coisa não se explicava apenas pelo nojo e pelo asco, mas havia ali uma dose de ódio e de desprezo contra a mentira e a pouca vergonha desta cambada de aldrabões à solta cá no cantinho...
Um dia, o pessoal chateia-se...